| GENERAL CÂMARA
Trabalhos da CPI são prorrogados por mais
90 dias
Renato Miller Silva
Instalada em outubro de
2011, a Comissão Parlamentar de Inquérito prorrogou por
mais 90 dias o prazo de conclusão das investigações
sobre denúncia de irregularidade em obras de rede de água
no interior do município de General Câmara com verbas do
convênio PAC/Funasa.
Durante os primeiros 90 dias, além dos vereadores requerentes
Mário Albanus, Rodrigo Lima Leite e Luis Fernando Fanken, a Comissão
teve o ingresso dos vereadores Norberto Azambuja e Geraldo Brandão,
mostrando a proporcionalidade partidária da Casa Legislativa.
Porém, alguns dias depois, os vereadores Norberto Azambuja e
Geraldo Brandão solicitaram o desligamento da Comissão,
sendo substituídos pelos vereadores Helton Barreto e José
Luiz Martins Júnior.
Durante o período preliminar, a CPI solicitou documentos à
Prefeitura, ao Governo Federal, ao Governo Estadual e requereu depoimentos
de testemunhas envolvidas no caso. Porém, os membros tiveram
dificuldades em ouvir algumas testemunhas, sendo necessário a
convocação judicial para a condução dos
depoimentos. Além disso, nos primeiros dias de janeiro, a administração
municipal entrou na Justiça com uma Ação Anulatória
contra a CPI, mas o pedido foi indeferido pelo juiz local. No dia 10
de janeiro, a atual administração municipal ingressou
com um Agravo, a fim de reformular a decisão local, mas também
teve o pedido de liminar negado.
Nova troca
No dia 11 de janeiro, os vereadores Helton Barreto, José Luiz
Martins Júnior e Luiz Fernando Fanken ingressaram na Casa Legislativa
com um pedido de desligamento da Comissão Parlamentar de Inquérito.
Para dar continuidade aos trabalhos, no início deste mês,
ingressou na CPI o vereador Antônio Eduardo Teixeira da Silva.
Em nota
O presidente da CPI, vereador Rodrigo Lima Leite, declarou incompreensíveis
as razões alegadas pelos vereadores para o desligamento da CPI:
“Em primeiro lugar, cumpre esclarecer o que é uma CPI e
qual a sua natureza jurídica, visto que de acordo com os comentários
que estão sendo realizados, não me parece existir um conhecimento
técnico ou jurídico do assunto por parte da maioria dos
comentaristas. A Constituição Federal de 1988, vislumbrando
o princípio da separação dos poderes, deu a cada
um deles (Executivo, Legislativo e Judiciário) determinadas funções
típicas e, também, atípicas. Grosso modo seria
dizer que ao Poder Judiciário cabe a função jurisdicional;
ao Executivo, a administração do Estado; e ao Legislativo
compete tipicamente legislar e fiscalizar os atos da administração
pública.
“Desta forma, cabe à instituição legislativa
a função de fiscalização política
e administrativa dos atos da administração municipal.
E um dos importantes instrumentos para o cumprimento dessas funções
é a possibilidade de instaurar as Comissões Parlamentares
de Inquérito, que somente pode ser criada mediante requerimento
de um número mínimo de um terço dos vereadores
e possui atividade “estritamente investigatória”,
a fim de apurar os fatos que deram origem à sua formação.
“As atividades realizadas pela Comissão Parlamentar têm
caráter meramente inquisitório, para futura acusação
a ser impulsionada pelo Ministério Público ou pela própria
Casa Legislativa, nos casos de sua competência. O objeto da CPI
é a investigação de possíveis irregularidades
nos atos administrativos praticados pela administração
municipal com os recursos repassados através dos órgãos
do governo federal e estadual, não existindo, desta forma, a
figura de um investigado e muito menos de um acusado.
“A CPI foi instaurada regularmente e segue funcionando na forma
da Lei. A instituição do contraditório em um procedimento
investigativo caracterizaria a interferência do prefeito municipal
nos trabalhos e prejudicaria as investigações. Na verdade,
o prefeito tentou anular a CPI, através de ação
judicial cujo pedido de liminar foi indeferido pelo Juiz da Comarca,
que entendeu que a CPI estava funcionando de forma regular. O prefeito
recorreu ao Tribunal de Justiça que confirmou a decisão
do juiz singular, entendendo que a CPI estava funcionando de forma absolutamente
correta. Coincidentemente, depois destas decisões judiciais,
os três vereadores apresentaram os seus pedidos de afastamento
da CPI, sem qualquer justificativa.
“As reuniões da Comissão Parlamentar de Inquérito
normalmente ocorrem nas quartas ou sextas-feiras e são abertas
ao público em geral.
O que diz o prefeito
Procurado pela reportagem do Portal de Notícias, o prefeito de
General Câmara, Darci Garcia de Freitas, não se manifestou
sobre o assunto.
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