| FUTURO DO CARVÃO
“Perda de 24 mil postos de trabalho”
No início da semana que promete ser decisiva para o futuro do
carvão mineral, o presidente do Sindicato dos Mineiros, Oniro
Camilo, concedeu por telefone uma entrevista ao Portal de Notícias
falando sobre assunto, bem como revelando o impacto na Região
Carbonífera, caso seja confirmada a exclusão do carvão
mineral da matriz energética do País. O presidente também
falou sobre ações planejadas pelo Sindicato e empresas
ligadas ao mineral para tentar reverter a decisão. Leia a entrevista
nesta página.
Reunião de hoje pode definir futuro do carvão
Para hoje, em Brasília, está marcada uma reunião
de trabalho entre a presidente Dilma Rousseff e os ministro de Minas
e Energia, Edison Lobão, e da Casa Civil, Ideli Salvatti, para
dentre outras coisas tratar da questão envolvendo o carvão
mineral. Da reunião, espera-se uma decisão sobre o assunto.
SAIBA MAIS
O que é a CDE?
Instituída pela Lei 10.438/02, a CDE é uma conta cuja
arrecadação é usada para promover a competitividade
da energia elétrica produzida por usinas que utilizam fontes
alternativas: eólicas, pequenas centrais hidrelétricas,
biomassa, carvão mineral nacional, etc. Parte dos recursos provenientes
da Conta também é repassada para a universalização
da energia elétrica no País. O custo da CDE é rateado
por todos os consumidores atendidos pelo Sistema Interligado. Os dos
Sistemas Isolados estão isentos desse custo. As distribuidoras
de energia são obrigadas a recolher, mensalmente, sua cota, que,
por força da legislação atual, tem que ser homologada
pela Aneel. O valor da cota é proporcional ao mercado atendido
por cada empresa. O desembolso que as distribuidoras fazem para bancar
a Conta é repassado aos consumidores por meio das tarifas. Isso
acontece por ocasião do reajuste tarifário anual ou da
revisão tarifária periódica das empresas.
ENTREVISTA:
Oniro Camilo, presidente do Sindicato dos Mineiros
Portal de Notícias (PN)- Por que as termelétricas estão
sendo excluídas da matriz energética do País?
Oniro Camilo - Por força de um tratado assinado pelo presidente
da República, Luis Inácio Lula da Silva, em Copenhague,
que diz que o Brasil iria reduzir de 36% a 40% o CO2 (gás carbônico)
emitido no País. O que a categoria quer saber: de onde eles tiraram
esse número? Como chegaram a esse úmero? E por que o carvão,
que significa tão pouco dentro da matriz energética, que
significa uma emissão de 0,03%, foi o único até
o momento a ser prejudicado?
PN- Ainda há possibilidade de reverter essa
posição do Governo Federal? Qual a perspectiva da categoria?
Como está a mobilização?
Oniro - Possibilidade existe, a gente acredita que
há. A gente continua na luta. Mas é uma decisão
política, única e exclusivamente da presidente da República.
A mobilização continua crescendo dia a dia.
PN - Ainda há possibilidade de incluir as termelétricas
no leilão de energia do mês de dezembro? Ou apenas nos
próximos?
OC – Sim. A gente acredita que conseguirá.
Mas se não conseguirmos, que ela reveja essa portaria 498 e que
possa chamar um novo leilão no próximo mês de janeiro,
com a inclusão das termelétricas.
PN - Quanto pesa ao Brasil não ter uma política
de energia gerada a partir do carvão mineral definida?
Oniro - O custo é que o Brasil pode, de uma
hora para outra, de um momento para outro, sofrer um apagão.
Ainda na semana passada ocorreu um problema na turbina de Itaipu, e
Charqueadas e São Jerônimo aumentaram a capacidade e a
energia elétrica consumida no Estado foi praticamente gerada
a carvão, só que a comunidade não percebe isso
porque é uma coisa interna das usinas.
PN- Qual será o impacto na Região Carbonífera
e no Estado como um todo, caso a posição do Governo Federal
não seja revertida e seja confirmado que o carvão mineral
está fora dos planos para a geração de energia?
Oniro – Dentro da Região Carbonífera
seria a perda de 24 mil postos de trabalho, dentro da cadeia produtiva,
entre diretos e indiretos. Também a perda de arrecadações
municipais e do próprio Estado. Apenas o município de
Butiá, por exemplo, perderia R$ 6 milhões no orçamento
anual. Imagina a quebradeira nos nossos municípios.
PN- Qual o potencial energético acumulado na
Região Carbonífera? E por quantos anos teríamos
essa capacidade de fornecer o carvão mineral?
Oniro - Temos carvão para mais de 300 anos. Ou seja, uma garantia
de 300 anos, no mínimo, hoje, carvão já conhecido.
Fora aquelas novas lavras que poderiam ser descobertas na Região
Carbonífera.
PN - Quais empreendimentos arriscam fechar na Região
Carbonífera com a exclusão do carvão da matriz
energética? As usinas de São Jerônimo e de Charqueadas
correm esse risco?
Oniro - As nossas duas usinas: São Jerônimo e Charqueadas.
A Usina de São Jerônimo a qualquer momento, porque ela
tem problemas ambientais. E a de Charqueadas a partir do momento que
acabar o contrato que ela tem hoje, ou seja, até o final do ano
que vem ela poderia estar fechando.
PN - Outro fator que influencia a decisão do
governo federal é a Conta do Desenvolvimento Energético
(CDE), que pouca gente sabe como funciona. Explique a dinâmica
de funcionamento da CDE, as últimas alterações
feitas pelo governo na conta e a sua influência nas decisões
da política energética brasileira.
Oniro - Primeiro lugar, essa é uma decisão
unicamente política, já que a Conta de Desenvolvimento
Energético (CDE) é pouco significativa e tem baixo impacto
econômico nas contas de energia elétrica, e não
haveria uma redução nas contas. A CDE está sendo
usada como “bode expiatório”, pois na verdade, é
uma decisão política para reduzir o CO2.
A gente tinha garantido o teto da criação da CDE até
2030. Daí, houve uma proposta da Aneel (Agência Nacional
de Energia Elétrcia). Inclusive, na próxima sexta-feira,
vai ter uma audiência pública em Brasília, com a
direção da Aneel para propor uma redução
para o ano de 2015. Isso significa o fechamento de cinco usinas no país:
as usinas de São Jerônimo, Charqueadas, a usina velha de
Candiota, a usina velha de Tubarão e, também, da Copel,
no Paraná. Ou seja, seria a exclusão definitiva do carvão
mineral da matriz energética do país.
PN -
Por quê?
Oniro - Houve uma decisão na cidade de Jacuí
de Baixo, em Santa Catarina, onde o empresariado do setor de geração
térmica a carvão decidiu que, sem o subsídio da
CDE, não comprará mais uma pedra de carvão mineral.
PN - Quais as ações deliberadas na reunião
do último domingo envolvendo mineiros e empresas ligadas ao carvão,
na sede do Sindicato, em Butiá?
Oniro - Primeiro, a interrupção da rodovia
BR-101 na divisão dos estados do Parará e Santa Catarina
ou Rio Grande do Sul e Santa Catarina, falta escolher qual dos dois
locais é estrategicamente melhor para atingirmos nossos objetivos.
Segundo, o prefeito de Candiota, Luis Carlos Folador e, também,
o nosso companheiro da CRM, José Lopes Tuca (Zecão), se
propõem a fazer uma greve de fome em frente ao Palácio
do Planalto para tentar demover a presidente no caso de uma decisão
contrária aos interesses dos mineiros.
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