TRANSPORTE COLETIVO
Usuários avaliam situação
das rodoviárias da Região
Processo de licitação das estações rodoviárias
deve ser aberto até o dia 31 de março
Rodrigo Ramazzini e Viviane Bueno
“Ela é ponto
de chegadas e despedidas” ou “Ela é ponto de partidas
e chegadas”. Também serve. As frases podem até soar
como clichês, mas a probabilidade de já ter experimentado
ou ter uma lembrança nelas que resulte na situação
narrada é grande. Embora carregue esse aspecto emocional, ao
deixá-lo de lado, passando para o dia a dia, a realidade é
muito menos glamorosa e se mostra, em alguns casos, como um verdadeiro
calvário para os usuários que dependem dos seus serviços
e aguardam os embarques nos espaços oferecidos. Logicamente que
estamos falando das estações rodoviárias da Região
Carbonífera.
Com o intuito de verificar a situação de como as rodoviárias
daqui estão tratando os seus “chegados” e “partidos”,
a reportagem do jornal Portal de Notícias circulou pela região
analisando as estruturas existentes, apontando aspectos positivos e
negativos de cada uma das rodoviárias, e, principalmente, ouvindo
a opinião sobre a qualidade dos serviços oferecidos por
quem utiliza o transporte coletivo diariamente: os passageiros.
Nesta primeira parte da reportagem, o jornal convida a pegar sua passagem
e da sua poltrona preferida conhecer as rodoviárias de Arroio
dos Ratos, Butiá, Charqueadas e Minas do Leão.
A segunda parte do material será publicada na edição
da próxima terça-feira.
Licitação
deve sair até o dia 31 de março
De acordo com a assessoria
de imprensa do Departamento Autônimo de Estrada de rodagem (Daer),
existem 325 estações rodoviárias no Estado, dentre
as quais, 280 estão com os contratos de concessão de serviços
com os atuais administradores vencidos e que deverão entrar em
processo de licitação na Central de Licitação
do Estado até o dia 31 de março. Ainda conforme o Daer,
na Região Carbonífera, todas as rodoviárias serão
licitadas, pois atualmente estão com os contratos vencidos e
operam com termo de autorização.
Charqueadas
Com um grande fluxo de pessoas circulando durante o dia, a Rodoviária
de Charqueadas, localizada no Centro da cidade, está em boas
condições para a usuária Vera Lúcia Siqueira,
60 anos, moradora de Arroio dos Ratos.
- Aqui é limpo e o atendimento é bom. O único problema
é a sujeira dos ônibus – opina Vera.
A moradora de Camaquã, Renilda Falkemberg, avalia de forma positiva
a estrutura e os serviços oferecidos na rodoviária.
- Os funcionários são educados e o atendimento é
bom. Eu dificilmente uso os banheiros, mas sempre vou à lancheria.
A comida é de boa qualidade – afirma Renilda.
Já para o morador de Charqueadas, José Jaci Silva dos
Santos, 74 anos, a infraestrutura não atende às necessidades
dos usuários.
- Há alguns anos, a situação era melhor. Os banheiros
estão muito ruins, assim como os horários das linhas de
ônibus. Falta pintura no prédio e não tem nenhum
aviso que indique o horário de funcionamento da rodoviária.
Dependendo do horário, o ônibus nem para aqui porque a
rodoviária está fechada. Os bancos também podiam
ser bem melhores – avalia José.
Infraestrutura
O que tem: um guichê para a venda das passagens, três boxes
para embarque e desembarque com proteção para a chuva
e sol, bancos de madeira na parte interna, banheiros, bebedouro, extintores,
lancheria, tabacaria, sorveteria e uma loja nas dependências do
prédio, um quadro com os horários das linhas bem visível
para os passageiros, relógio e a presença constante de
animais nas dependências do prédio.
O que não tem: não há sistema de ventilação
na sala de espera, falta de manutenção e pintura no prédio
e o fraldário não está aberto ao público.
Arroio dos Ratos
Também localizada no Centro da cidade, um dos maiores problemas
é a falta de boxes para o embarque e desembarque de passageiros.
- A cobertura aqui na rua não protege nem da chuva e nem do sol
e, além disso, o prédio fica exposto ao sol da tarde.
Os ônibus precisam parar no meio da rua, aumentando o risco de
acidentes. Os horários as linhas não são bons e
os ônibus são sujos. Os que fazem as linhas para Charqueadas
e São Jerônimo, a grande maioria, têm problemas nas
janelas, deixando os passageiros expostos a poeira e a chuva –
fala o morador de Arroio dos Ratos, Ivo Diogo Almeida.
Para as usuárias Angelita Santos Menezes e Liria Dobner, de Arroio
dos Ratos, as condições da rodoviária estão
péssimas.
- O maior problema é a falta de boxes. O atendimento é
bom, mas aqui tudo podia ser bem melhor – falam.
Infraestrutura
O que tem: Há um guichê para a venda de passagens, os horários
das linhas estão expostos em um mural, um relógio, bancos
de madeira na parte interna, um bebedouro, um aparelho de TV, lancheria
e banheiros. Apesar de o local estar limpo na parte interna, há
alguns objetos como madeiras e estruturas armazenadas próximo
a uma janela, mas a parte externa está suja. A pintura está
em boas condições. Há uma rampa com acesso para
pessoas com deficiência.
O que não tem: boxes para o embarque e desembarque dos passageiros,
cartaz com indicação do horário de funcionamento
da rodoviária e sistema de ventilação.
Butiá
Com uma estrutura ampla, a rodoviária de Butiá, também
fica localizada no centro da cidade. Para Vanilda Santos, que mora no
interior de São Jerônimo, no distrito de Quitéria,
as condições estão boas.
- Antes era bem mais bagunçado, mas agora está limpo.
Os ônibus não costumam atrasar e sempre fui bem atendida
aqui – destaca.
Já para Regina Caetano Ferreira, de Eldorado do Sul, as condições
da rodoviária estão muito ruins.
- O atendimento e o horário de funcionamento são ruins.
Os funcionários não atendem ao telefone e quando o fazem,
dão informação errada. Têm diversas linhas
que os passageiros precisam ir em pé, pelo excesso de pessoas.
Aqui funciona só até as 20 horas, fica complicado para
quem trabalha e precisa comprar uma passagem depois desse horário
– destaca Regina.
Infraestrutura
O que tem: um guichê, banheiros, bancos de madeira na parte interna
e de concreto, na externa, horários dos ônibus escritos
em um quadro, relógio, bebedouro, nove boxes com proteção
para a chuva e sol e rampa com acesso para deficientes físicos.
O que não tem: sistema de ventilação, cartaz com
informação sobre o horário de funcionamento da
rodoviária.
Minas do Leão
A rodoviária de Minas do Leão é um espaço
pequeno, com área para estacionamento dos ônibus, guichê,
cartaz informando o horário das linhas e banheiros, não
há ventiladores e na parte externa, não há bancos
para os passageiros.
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