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Região Carbonifera, sexta-feira, 3 fevereiro, 2012
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TRANSPORTE COLETIVO
Usuários avaliam situação das rodoviárias da Região

Processo de licitação das estações rodoviárias deve ser aberto até o dia 31 de março

Rodrigo Ramazzini e Viviane Bueno
“Ela é ponto de chegadas e despedidas” ou “Ela é ponto de partidas e chegadas”. Também serve. As frases podem até soar como clichês, mas a probabilidade de já ter experimentado ou ter uma lembrança nelas que resulte na situação narrada é grande. Embora carregue esse aspecto emocional, ao deixá-lo de lado, passando para o dia a dia, a realidade é muito menos glamorosa e se mostra, em alguns casos, como um verdadeiro calvário para os usuários que dependem dos seus serviços e aguardam os embarques nos espaços oferecidos. Logicamente que estamos falando das estações rodoviárias da Região Carbonífera.
Com o intuito de verificar a situação de como as rodoviárias daqui estão tratando os seus “chegados” e “partidos”, a reportagem do jornal Portal de Notícias circulou pela região analisando as estruturas existentes, apontando aspectos positivos e negativos de cada uma das rodoviárias, e, principalmente, ouvindo a opinião sobre a qualidade dos serviços oferecidos por quem utiliza o transporte coletivo diariamente: os passageiros.
Nesta primeira parte da reportagem, o jornal convida a pegar sua passagem e da sua poltrona preferida conhecer as rodoviárias de Arroio dos Ratos, Butiá, Charqueadas e Minas do Leão.
A segunda parte do material será publicada na edição da próxima terça-feira.

Licitação deve sair até o dia 31 de março

De acordo com a assessoria de imprensa do Departamento Autônimo de Estrada de rodagem (Daer), existem 325 estações rodoviárias no Estado, dentre as quais, 280 estão com os contratos de concessão de serviços com os atuais administradores vencidos e que deverão entrar em processo de licitação na Central de Licitação do Estado até o dia 31 de março. Ainda conforme o Daer, na Região Carbonífera, todas as rodoviárias serão licitadas, pois atualmente estão com os contratos vencidos e operam com termo de autorização.

Charqueadas

Com um grande fluxo de pessoas circulando durante o dia, a Rodoviária de Charqueadas, localizada no Centro da cidade, está em boas condições para a usuária Vera Lúcia Siqueira, 60 anos, moradora de Arroio dos Ratos.
- Aqui é limpo e o atendimento é bom. O único problema é a sujeira dos ônibus – opina Vera.
A moradora de Camaquã, Renilda Falkemberg, avalia de forma positiva a estrutura e os serviços oferecidos na rodoviária.
- Os funcionários são educados e o atendimento é bom. Eu dificilmente uso os banheiros, mas sempre vou à lancheria. A comida é de boa qualidade – afirma Renilda.
Já para o morador de Charqueadas, José Jaci Silva dos Santos, 74 anos, a infraestrutura não atende às necessidades dos usuários.
- Há alguns anos, a situação era melhor. Os banheiros estão muito ruins, assim como os horários das linhas de ônibus. Falta pintura no prédio e não tem nenhum aviso que indique o horário de funcionamento da rodoviária. Dependendo do horário, o ônibus nem para aqui porque a rodoviária está fechada. Os bancos também podiam ser bem melhores – avalia José.

Infraestrutura
O que tem: um guichê para a venda das passagens, três boxes para embarque e desembarque com proteção para a chuva e sol, bancos de madeira na parte interna, banheiros, bebedouro, extintores, lancheria, tabacaria, sorveteria e uma loja nas dependências do prédio, um quadro com os horários das linhas bem visível para os passageiros, relógio e a presença constante de animais nas dependências do prédio.
O que não tem: não há sistema de ventilação na sala de espera, falta de manutenção e pintura no prédio e o fraldário não está aberto ao público.

Arroio dos Ratos

Também localizada no Centro da cidade, um dos maiores problemas é a falta de boxes para o embarque e desembarque de passageiros.
- A cobertura aqui na rua não protege nem da chuva e nem do sol e, além disso, o prédio fica exposto ao sol da tarde. Os ônibus precisam parar no meio da rua, aumentando o risco de acidentes. Os horários as linhas não são bons e os ônibus são sujos. Os que fazem as linhas para Charqueadas e São Jerônimo, a grande maioria, têm problemas nas janelas, deixando os passageiros expostos a poeira e a chuva – fala o morador de Arroio dos Ratos, Ivo Diogo Almeida.
Para as usuárias Angelita Santos Menezes e Liria Dobner, de Arroio dos Ratos, as condições da rodoviária estão péssimas.
- O maior problema é a falta de boxes. O atendimento é bom, mas aqui tudo podia ser bem melhor – falam.

Infraestrutura
O que tem: Há um guichê para a venda de passagens, os horários das linhas estão expostos em um mural, um relógio, bancos de madeira na parte interna, um bebedouro, um aparelho de TV, lancheria e banheiros. Apesar de o local estar limpo na parte interna, há alguns objetos como madeiras e estruturas armazenadas próximo a uma janela, mas a parte externa está suja. A pintura está em boas condições. Há uma rampa com acesso para pessoas com deficiência.
O que não tem: boxes para o embarque e desembarque dos passageiros, cartaz com indicação do horário de funcionamento da rodoviária e sistema de ventilação.

Butiá

Com uma estrutura ampla, a rodoviária de Butiá, também fica localizada no centro da cidade. Para Vanilda Santos, que mora no interior de São Jerônimo, no distrito de Quitéria, as condições estão boas.
- Antes era bem mais bagunçado, mas agora está limpo. Os ônibus não costumam atrasar e sempre fui bem atendida aqui – destaca.
Já para Regina Caetano Ferreira, de Eldorado do Sul, as condições da rodoviária estão muito ruins.
- O atendimento e o horário de funcionamento são ruins. Os funcionários não atendem ao telefone e quando o fazem, dão informação errada. Têm diversas linhas que os passageiros precisam ir em pé, pelo excesso de pessoas. Aqui funciona só até as 20 horas, fica complicado para quem trabalha e precisa comprar uma passagem depois desse horário – destaca Regina.

Infraestrutura
O que tem: um guichê, banheiros, bancos de madeira na parte interna e de concreto, na externa, horários dos ônibus escritos em um quadro, relógio, bebedouro, nove boxes com proteção para a chuva e sol e rampa com acesso para deficientes físicos.
O que não tem: sistema de ventilação, cartaz com informação sobre o horário de funcionamento da rodoviária.

Minas do Leão


A rodoviária de Minas do Leão é um espaço pequeno, com área para estacionamento dos ônibus, guichê, cartaz informando o horário das linhas e banheiros, não há ventiladores e na parte externa, não há bancos para os passageiros.