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Região Carbonifera, terça-feira, 10 janeiro, 2012
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ESTIAGEM
Sinal de alerta aceso na região

Rodrigo Ramazzini e Viviane Bueno

A situação ainda não entrou em grau de emergência, mas já ligou o sinal de alerta e começa a movimentar autoridades e membros da Defesa Civil. A estiagem que atinge grande parte do Rio Grande do Sul produz os seus efeitos também na Região Carbonífera. Perdas em plantações, como de milho e soja, na pecuária e nos níveis dos rios já começam a ser contabilizados. Paisagens já começam a sofrer mudanças com a escassez de chuva. Para retratar a situação e as perdas, o jornal Portal de Notícias buscou informações sobre os reflexos da falta de chuva em cada município.

Arroio dos Ratos
O baixo nível do arroio que abastece a cidade é uma das principais preocupações em Arroio dos Ratos. De acordo com Antônio Sérgio, responsável pela Defesa Civil no município, a quantidade de águas do arroio está sendo monitorada e caso não chova nas próximas semanas, ações de racionamento deverão ser tomadas. A reportagem tentou contato com a Emater de Arroio dos Ratos para saber a situação das plantações nas áreas do município, mas não obteve êxito.

Butiá
Conforme a Emater de Butiá, as perdas nas lavouras de milho no município com a falta de chuvas já atingem 50% das áreas plantadas. A estiagem trouxe, também, perdas entre 25 e 30% nas plantações de soja e reflexos na pecuária, tanto no aspecto de peso como na reprodução dos animais.

Charqueadas
Na cidade de Charqueadas, será realizada na próxima quinta-feira, 12, às 9 horas, no Parque de Eventos, uma reunião para avaliar a situação do município. Conforme o presidente da Defesa Civil, Amigair Ubiratan Bibiano, os pequenos produtores rurais são os mais atingidos.
- Quem mais sofre com a estiagem é o produtor da economia solidária, atingindo desde o milho verde até outras plantações – afirma Bibiano.

General Câmara
Em General Câmara, conforme o engenheiro agrônomo da Emater Valmir Focki, a situação do município é grave.
- Faremos uma reunião com a comissão da Defesa Civil na quarta ou na quinta-feira desta semana para definirmos se será decretada a situação de emergência – afirma.
Segundo Focki, as lavouras de milho são as mais afetadas até o momento.

São Jerônimo
Em São Jerônimo, conforme o engenheiro agrônomo da Emater, Adão Brião, dos 310 hectares plantados de milho e feijão, cerca de 40% da produção foi atingida pela estiagem.
- A informação é extra-oficial, dependemos ainda de um laudo geral para analisar a situação – garante Adão.

Triunfo
Segundo a Emater de Triunfo, a situação no município está se agravando com a estiagem. As perdas com a falta de chuva atingem, principalmente, as plantações de milho, com 50% a área afetada. Os grãos que seriam colhidos nesta estação ficariam armazenados em silos e utilizados em rações de animais no próximo inverno. Como a safra será menor, é possível que o reflexo da estiagem seja sentido na estação, com a falta da alimentação dos animais.

Rio Jacuí no nível
Apesar da falta de chuvas, o Rio Jacuí permanece dentro dos níveis considerados “normais” para a estação do ano.

Falta estação meteorológica
De acordo com a Metsul Meteorologia, como a Região Carbonífera não possui nenhuma estação meteorológica, é difícil mensurar o nível pluviométrico (quantidade de chuvas) que ocorreram nas últimas semanas nos municípios.

Pelo estado, situação de emergência em 107 municípios

O governador em exercício, Beto Grill, homologou na manhã de ontem a situação de emergência em 107 municípios do Rio Grande do Sul que encaminharam o pedido à Defesa Civil. Uma comitiva do governo foi a Boa Vista das Missões para a assinatura do decreto coletivo. O município da região Norte é considerado o "centro da seca" que já afeta mais de 450 mil gaúchos.
Uma nova leva de decretos de municípios em situação de emergência deve ser homologada em breve, na medida em que as solicitações forem encaminhadas, e deve contemplar, entre outros, os 37 municípios que já fizeram Notificação Preliminar de Desastre (Nopred) mas ainda não passaram pela vistoria da Defesa Civil. A expectativa é que a homologação coletiva dos decretos agilize a liberação de recursos do governo federal para cobrir prejuízos provocados pela estiagem.

Liberados R$ 20 milhões

Ontem, em Brasília, o ministro da Agricultura anunciou a liberação de R$ 20 milhões do governo federal para ajudar municípios gaúchos prejudicados pela seca. A verba será repassada para ações de Defesa Civil e faz parte da sobra do orçamento disponibilizado no ano passado para o Estado durante o período de enchentes. A prioridade é atender os municípios que já encaminharam solicitação de situação de emergência.
Para produtores que tiverem perdas em função da seca, mas cujos municípios não se enquadrarem nos critérios para ter a situação de emergência decretada, há a alternativa do laudo individualizado de cada propriedade.

Previsão do tempo para os próximos dias

A tendência é de predomínio do tempo seco nesta terça-feira e ainda durante parte da quarta-feira, segundo a MetSul Meteorologia. O calor segue muito intenso com máximas de 36ºC a 38ºC em alguns pontos, o que acelera a perda de umidade no solo.
- Alívio parcial pode vir na segunda metade da semana, diz Alexandre Aguiar, diretor de comunicação da empresa de Meteorologia. Segundo Aguiar, pancadas de chuva podem ser registradas em pontos isolados da tarde para a noite na quarta, não se descartando que sejam fortes e acompanhadas de temporais com granizo e vento forte em alguns locais. Na quinta-feira, a passagem de uma frente fria deve trazer chuva mais generalizada, ocasionalmente forte em alguns pontos, mas o dia começa com tempo seco e muito abafado. Na sexta-feira, o céu ainda deve apresentar nuvens e pode voltar a chover.
A MetSul adverte que os volumes de chuva na segunda metade da semana na região carbonífera devem ser muito irregulares e que nem todos municípios da região devem ter precipitações suficientemente volumosas para aliviar a estiagem. A boa notícia que as duas próximas semanas reservam novas ocorrências de chuva, mas, novamente, com as precipitações mal distribuídas.


Dicas de como economizar água
- Ao escovar os dentes e se barbear, manter a torneira fechada;
- Fechar a torneira enquanto ensaboar as louças e talheres;
- Usar a máquina de lavar roupas na capacidade máxima;
- Na hora do banho, procurar se ensaboar com o chuveiro desligado e procurar tomar banho rápido;
- Não jogar óleo de fritura pelo ralo da pia. Além de correr o risco de entupir o encanamento da residência, a prática polui os rios e dificulta o tratamento da água;
- Não deixar que ocorram vazamentos em encanamentos dentro da residência;
- Entrar em contato com a companhia de água ao verificar vazamentos de água na rede externa;
- Usar a descarga no vaso sanitário apenas o necessário. Manter a válvula sempre regulada;
- Reutilizar a água sempre que possível;
- Utilizar regador no lugar de mangueira para regar as plantas;
- Usar vassoura para varrer o chão e não a água da mangueira;
- Lavar o carro com balde ao invés de mangueira;
- Captar a água da chuva com baldes. Esta água pode ser usada para lavar carros, quintais e regar plantas;
- Tratar a água de piscinas para não precisar trocar com freqüência. Outra dica é cobrir a piscina com lona, enquanto não ocorre o uso, para evitar a evaporação;
- Colocar sistemas de controle de fluxo de água (aeradores) no bico das torneiras.