ESTIAGEM
Sinal de alerta aceso na região
Rodrigo Ramazzini e Viviane Bueno
A situação
ainda não entrou em grau de emergência, mas já ligou
o sinal de alerta e começa a movimentar autoridades e membros
da Defesa Civil. A estiagem que atinge grande parte do Rio Grande do
Sul produz os seus efeitos também na Região Carbonífera.
Perdas em plantações, como de milho e soja, na pecuária
e nos níveis dos rios já começam a ser contabilizados.
Paisagens já começam a sofrer mudanças com a escassez
de chuva. Para retratar a situação e as perdas, o jornal
Portal de Notícias buscou informações sobre os
reflexos da falta de chuva em cada município.
Arroio
dos Ratos
O baixo nível do arroio que abastece a cidade é uma das
principais preocupações em Arroio dos Ratos. De acordo
com Antônio Sérgio, responsável pela Defesa Civil
no município, a quantidade de águas do arroio está
sendo monitorada e caso não chova nas próximas semanas,
ações de racionamento deverão ser tomadas. A reportagem
tentou contato com a Emater de Arroio dos Ratos para saber a situação
das plantações nas áreas do município, mas
não obteve êxito.
Butiá
Conforme a Emater de Butiá, as perdas nas lavouras de milho no
município com a falta de chuvas já atingem 50% das áreas
plantadas. A estiagem trouxe, também, perdas entre 25 e 30% nas
plantações de soja e reflexos na pecuária, tanto
no aspecto de peso como na reprodução dos animais.
Charqueadas
Na cidade de Charqueadas, será realizada na próxima quinta-feira,
12, às 9 horas, no Parque de Eventos, uma reunião para
avaliar a situação do município. Conforme o presidente
da Defesa Civil, Amigair Ubiratan Bibiano, os pequenos produtores rurais
são os mais atingidos.
- Quem mais sofre com a estiagem é o produtor da economia solidária,
atingindo desde o milho verde até outras plantações
– afirma Bibiano.
General
Câmara
Em General Câmara, conforme o engenheiro agrônomo da Emater
Valmir Focki, a situação do município é
grave.
- Faremos uma reunião com a comissão da Defesa Civil na
quarta ou na quinta-feira desta semana para definirmos se será
decretada a situação de emergência – afirma.
Segundo Focki, as lavouras de milho são as mais afetadas até
o momento.
São Jerônimo
Em São Jerônimo, conforme o engenheiro agrônomo da
Emater, Adão Brião, dos 310 hectares plantados de milho
e feijão, cerca de 40% da produção foi atingida
pela estiagem.
- A informação é extra-oficial, dependemos ainda
de um laudo geral para analisar a situação – garante
Adão.
Triunfo
Segundo a Emater de Triunfo, a situação no município
está se agravando com a estiagem. As perdas com a falta de chuva
atingem, principalmente, as plantações de milho, com 50%
a área afetada. Os grãos que seriam colhidos nesta estação
ficariam armazenados em silos e utilizados em rações de
animais no próximo inverno. Como a safra será menor, é
possível que o reflexo da estiagem seja sentido na estação,
com a falta da alimentação dos animais.
Rio Jacuí
no nível
Apesar da falta de chuvas, o Rio Jacuí permanece dentro dos níveis
considerados “normais” para a estação do ano.
Falta estação
meteorológica
De acordo com a Metsul Meteorologia, como a Região Carbonífera
não possui nenhuma estação meteorológica,
é difícil mensurar o nível pluviométrico
(quantidade de chuvas) que ocorreram nas últimas semanas nos
municípios.
Pelo estado,
situação de emergência em 107 municípios
O governador em
exercício, Beto Grill, homologou na manhã de ontem a situação
de emergência em 107 municípios do Rio Grande do Sul que
encaminharam o pedido à Defesa Civil. Uma comitiva do governo
foi a Boa Vista das Missões para a assinatura do decreto coletivo.
O município da região Norte é considerado o "centro
da seca" que já afeta mais de 450 mil gaúchos.
Uma nova leva de decretos de municípios em situação
de emergência deve ser homologada em breve, na medida em que as
solicitações forem encaminhadas, e deve contemplar, entre
outros, os 37 municípios que já fizeram Notificação
Preliminar de Desastre (Nopred) mas ainda não passaram pela vistoria
da Defesa Civil. A expectativa é que a homologação
coletiva dos decretos agilize a liberação de recursos
do governo federal para cobrir prejuízos provocados pela estiagem.
Liberados
R$ 20 milhões
Ontem, em Brasília,
o ministro da Agricultura anunciou a liberação de R$ 20
milhões do governo federal para ajudar municípios gaúchos
prejudicados pela seca. A verba será repassada para ações
de Defesa Civil e faz parte da sobra do orçamento disponibilizado
no ano passado para o Estado durante o período de enchentes.
A prioridade é atender os municípios que já encaminharam
solicitação de situação de emergência.
Para produtores que tiverem perdas em função da seca,
mas cujos municípios não se enquadrarem nos critérios
para ter a situação de emergência decretada, há
a alternativa do laudo individualizado de cada propriedade.
Previsão
do tempo para os próximos dias
A tendência
é de predomínio do tempo seco nesta terça-feira
e ainda durante parte da quarta-feira, segundo a MetSul Meteorologia.
O calor segue muito intenso com máximas de 36ºC a 38ºC
em alguns pontos, o que acelera a perda de umidade no solo.
- Alívio parcial pode vir na segunda metade da semana, diz Alexandre
Aguiar, diretor de comunicação da empresa de Meteorologia.
Segundo Aguiar, pancadas de chuva podem ser registradas em pontos isolados
da tarde para a noite na quarta, não se descartando que sejam
fortes e acompanhadas de temporais com granizo e vento forte em alguns
locais. Na quinta-feira, a passagem de uma frente fria deve trazer chuva
mais generalizada, ocasionalmente forte em alguns pontos, mas o dia
começa com tempo seco e muito abafado. Na sexta-feira, o céu
ainda deve apresentar nuvens e pode voltar a chover.
A MetSul adverte que os volumes de chuva na segunda metade da semana
na região carbonífera devem ser muito irregulares e que
nem todos municípios da região devem ter precipitações
suficientemente volumosas para aliviar a estiagem. A boa notícia
que as duas próximas semanas reservam novas ocorrências
de chuva, mas, novamente, com as precipitações mal distribuídas.
Dicas de como economizar água
- Ao escovar os dentes e se barbear, manter a torneira fechada;
- Fechar a torneira enquanto ensaboar as louças e talheres;
- Usar a máquina de lavar roupas na capacidade máxima;
- Na hora do banho, procurar se ensaboar com o chuveiro desligado e
procurar tomar banho rápido;
- Não jogar óleo de fritura pelo ralo da pia. Além
de correr o risco de entupir o encanamento da residência, a prática
polui os rios e dificulta o tratamento da água;
- Não deixar que ocorram vazamentos em encanamentos dentro da
residência;
- Entrar em contato com a companhia de água ao verificar vazamentos
de água na rede externa;
- Usar a descarga no vaso sanitário apenas o necessário.
Manter a válvula sempre regulada;
- Reutilizar a água sempre que possível;
- Utilizar regador no lugar de mangueira para regar as plantas;
- Usar vassoura para varrer o chão e não a água
da mangueira;
- Lavar o carro com balde ao invés de mangueira;
- Captar a água da chuva com baldes. Esta água pode ser
usada para lavar carros, quintais e regar plantas;
- Tratar a água de piscinas para não precisar trocar com
freqüência. Outra dica é cobrir a piscina com lona,
enquanto não ocorre o uso, para evitar a evaporação;
- Colocar sistemas de controle de fluxo de água (aeradores) no
bico das torneiras.
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