ESTIAGEM
Região já contabiliza prejuízos
superiores a R$ 46 milhões Viviane Bueno
Já chega
a 342 o número de municípios atingidos pela estiagem em
todo o RS. Desde montante, três estão localizados na Região
Carbonífera: Barão do Triunfo, General Câmara e
São Jerônimo, que decretaram oficialmente situação
de emergência. Os municípios de Charqueadas, Arroios dos
Ratos e Butiá, embora ainda não tenham decretado emergência,
também contabilizam prejuízos. De acordo com o boletim
da Defesa Civil emitido na tarde da última quarta-feira, 8, a
seca já atinge um milhão e 800 mil pessoas em todo o Estado.
Barão
do Triunfo tem perdas de R$ 12 milhões
O município de Barão do Triunfo, que tem sua economia
alicerçada na agricultura, os prejuízos na lavoura são
superiores a R$ 12 milhões. Conforme informações
do secretário de Administração e Saúde,
Severino Aloísio, a cultura mais afetada é a do fumo,
totalizando perdas na casa dos R$ 8 milhões. Grãos e cereais
chegam a R$ 2.379 milhões, fruticultura R$ 150 mil e horticultura
150 mil. Segundo o secretário, as chuvas dos últimos dias
já amenizaram os efeitos da estiagem e que o município
está buscando junto aos governos Estadual e Federal recursos
para a criação de poços e micro-açudes.
Charqueadas
contabiliza perdas de R$ 1.612.290,00
Embora não tenha decretado situação de emergência,
Charqueadas já contabiliza perdas em razão da falta de
chuva. De acordo com o laudo da Emater do município, o saldo
negativo da estiagem é de R$ 1.612.290,00. A cultura do milho
o prejuízo é de R$ 52.250,00. O feijão contabiliza
R$ 2.840,00 e a soja R$ 302.400,00. O arroz irrigado, a olericultura,
a fruticultura, a piscicultura e o leite, somados chegam a R$ 538.200,00.
Os bovinos de corte lideram a lista de perdas, totalizando perdas de
R$ 716.600,00.
Em General
Câmara prejuízos chegam a R$ 9 milhões
O laudo técnico realizado pela Emater de General Câmara
aponta perdas de mais de R$ 9 milhões. Uma das culturas mais
afetadas é a do fumo, com prejuízo de 40% na safra, com
um montante de R$ 4.715.942,40. As plantações de milho
totalizam perdas de R$ 1.037.610,00. A soja um valor de R$ 340.200,00,
a melancia R$ 207 mil, bovinos de corte R$ 2.576.000,00 e bovinos de
leite os prejuízos contabilizam R$ 292.500,00.
Em São
Jerônimo perdas são de R$ 17 milhões
No município de São Jerônimo, a Emater contabilizou
perdas no campo na casa de R$ 17 milhões. Nas culturas de grão
e cereais, os prejuízos são de R$ 1.600.000,00. Na fruticultura,
que inclui o melão e a melancia o valor é de R$ 3.146.000,00.
Os bovinos de leite e corte, somam mais de R$ 4 milhões e a fumicultura
as perdas são de R$ 8 milhões. A área do interior
mais afetada pela estiagem é o Rincão das Correias.
Em Arroio
dos Ratos a cultura da melancia é a mais afetada
Embora não tenha decretado situação de emergência,
o município de Arroio dos Ratos já contabiliza prejuízos
de R$ 1.298.520,00. A cultura mais afetada é da melancia, com
perdas de R$ 567.000,00.
Butiá
deverá decretar situação de emergência nos
próximos dias
Conforme laudo da Emater, o município de Butiá contabiliza
perdas superiores a R$ 6 milhões. As plantações
de milho, soja, melancia, hortaliças, bovinos de corte e a piscicultura
são as mais atingidas. O município deverá decretar
situação de emergência nos próximos dias.
Triunfo
não deve decretar situação de emergência
Conforme a Emater de Triunfo, o município ainda não tem
um levantamento exato dos prejuízos decorrentes da estiagem.
A previsão é que hoje seja realizada uma reunião
para discutir o tema. Conforme os dados preliminares, Triunfo não
deverá decretar situação de emergência.
Famurs
reforça pedido por mais recursos para estiagem no Conselhão
Durante encontro realizado nesta quarta-feira, 8, na sede do Conselhão,
localizada no Centro Administrativo, representantes de entidades reivindicaram
uma série de medidas ao governo do Estado. Entre os pedidos,
foi solicitado mais atenção ao problema, a elaboração
de planos de prevenção e o repasse extra de R$ 250 mil
a cada um dos municípios atingidos.
- Os municípios investem todos os anos R$ 500 milhões
na saúde e R$ 60 milhões no transporte escolar, que são
de responsabilidade do governo. Estamos exauridos de recursos para combater
a estiagem porque temos que pagar a conta do Estado - protestou o presidente
da Famurs, Mariovane Weis.
Recurso insuficiente e direcionamento de verba
Mariovane Weis ainda classificou o repasse de R$ 51,9 mil por município
como insuficiente para amenizar os danos da estiagem e alertou sobre
a dificuldade que as Prefeituras estão tendo para ter acesso
a estes valores.
- Esse recurso é uma miséria, e o direcionamento da verba
é uma interferência na autonomia dos prefeitos. Somos nós
que conhecemos a realidade das nossas comunidades e sabemos quais as
prioridades de investimento - reclamou Weis.
Burocracia e desatenção
A burocracia na liberação dos recursos também foi
alvo de críticas do Frei Sérgio Goergen, que é
ligado ao Movimento dos Pequenos Agricultores.
- Temos a sensação que os governos federal e estadual
não estão dando a atenção necessária
à gravidade do problema. Essa é uma das piores secas que
já enfrentamos - alertou o Frei.
Falta de estrutura e de planejamento
Segundo afirma o promotor de justiça Alexandre Saltz, o Estado
não tem condições de resolver situações
emergenciais por não possuir estratégias preventivas.
- Estamos esquecendo de analisar a ausência de estrutura dos órgãos
estaduais de recursos hídricos. O governo não se preparou
para enfrentar essa operação e não tem um plano
de contingência para enfrentar eventos hidrológicos como
a seca, as cheias e a mortandade de peixes - advertiu o promotor do
Ministério Público.
Medidas do Estado
O governo do RS tem o objetivo de desenvolver políticas permanentes
com programas de combate à seca de médio e longo prazo.
Entretando, o secretário de Obras Públicas, Irrigação
e Desenvolvimento Urbano, Luiz Carlos Busatto, afirmou que as medidas
escolhidas pelo Estado foram emergenciais.
- Tínhamos que atacar o problema naquela hora, mas combinamos
com o Ministério da Agricultura uma linha de financiamento para
comprar de equipamentos de irrigação e empréstimo
de máquinas para recuperação de açudes -
tranquilizou Busatto, ao citar as propostas do Plano Estadual de Irrigação,
que será lançado no mês de março.
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