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Região Carbonifera, sexta-feira, 20 janeiro, 2012
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ESTIAGEM
Região contabiliza perdas de mais de R$ 27 milhões

Os municípios de General Câmara e São Jerônimo seguem castigados com a estiagem que atinge mais de 300 localidades do Estado e afetam cerca de 1,6 milhões de pessoas. As duas cidades da Região Carbonífera já decretaram junto a Defesa Civil situação de emergência, nos dias 11 e 12 desse mês, respectivamente.
Com o sinal vermelho aceso, os prejuízos com o tempo seco começam a ser contabilizados na pecuária e agricultura. As perdas no campo, nas plantações de milho, soja, fruticultura e bovinos, totalizam nos dois municípios, prejuízos de mais de R$ 26 milhões.

Em General Câmara prejuízos chegam a R$ 9 milhões
O laudo técnico realizado pela Emater de General Câmara aponta perdas de mais de R$ 9 milhões. Uma das culturas mais afetadas é a do fumo, com prejuízo de 40% na safra, com um montante de R$ 4.715.942,40. As plantações de milho totalizam perdas de R$ 1.037.610,00. A soja um valor de R$ 340.200,00, a melancia R$ 207 mil, bovinos de corte R$ 2.576.000,00 e bovinos de leite os prejuízos contabilizam R$ 292.500,00.

Em São Jerônimo perdas chegam a R$ 17 milhões
No município de São Jerônimo, a Emater contabilizou perdas no campo na casa de R$ 17 milhões. Nas culturas de grão e cereais, os prejuízos são de R$ 1.600.000,00. Na fruticultura, que inclui o melão e a melancia o valor é de R$ 3.146.000,00. Os bovinos de leite e corte, somam mais de R$ 4 milhões e a fumicultura as perdas são de R$ 8 milhões.
Conforme a coordenadora da Defesa Civil, Leni Leal, o laudo contém informações finalizadas no dia 13 de janeiro. Segundo Leni, a área do interior mais afetada pela estiagem é o Rincão das Correias.

Em Arroio dos Ratos a cultura da melancia é a mais afetada
Embora não tenha decretado situação de emergência, o município de Arroio dos Ratos já contabiliza prejuízos de R$ 1.298.520,00. A cultura mais afetada é da melancia, com perdas de R$ 567.000,00.

Pacote para ajudar os municípios
Durante a abertura da 18ª Assembleia de Verão da Famurs, realizada ontem, em Tramandaí, o Governador Tarso Genro reiterou que a prioridade do Governo será o de minimizar, com ações emergenciais, os danos sociais e humanos decorrentes desse episódio.
- Estamos totalmente aparelhados para dar assistência aos municípios atingidos. Nosso foco agora é assegurar a essas comunidades água para o consumo humano, alimentação para os animais, e apoio para a recuperação da capacidade produtiva de quem teve perdas com a seca - ressaltou.

R$ 51 mil em recursos
Os municípios que decretaram situação de emergência receberão R$ 51 mil para despesas de custeio, como o de compras de cestas básicas e de caixas d’água.

Tratamento diferenciado para perfuração de poços
O Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERH) do Rio Grande do Sul emitiu Resolução nº 98, na última semana, determinando que os municípios que constem no anexo do Decreto nº 48.782/2012, de atingidos pela estiagem, terão tratamento diferenciado para a perfuração de poços. A medida deve-se à escassez de água nas bacias hidrográficas do RS, para o atendimento dos diversos usos dos recursos hídricos disponíveis, e a possibilidade de comprometimento de abastecimento da população, devido aos baixos níveis de água verificados em situações similares, nas captações dos municípios.

Farsul projeta variação negativa do PIB gaúcho devido à estiagem
Um levantamento divulgado na tarde de ontem pela Farsul, indica que há grandes chances de que a variação do PIB gaúcho seja negativa em 2012, devido aos prejuízos ocasionados pela estiagem no RS.
- Temos uma possibilidade bastante alta de ter um PIB negativo este ano - afirma o economista da Farsul, Antônio da Luz.
Conforme a entidade, a projeção é que o PIB seja 5,22 pontos percentuais menor do que o projetado. Os dados foram levantados a partir de informações repassadas pelos sindicatos rurais filiados à Farsul. Calcula-se uma quebra de 36% na soja, 54% no milho, 22% no fumo e 11% no arroz.
De acordo com a Farsul, os números indicam um impacto de R$ 14,28 bilhões no PIB gaúcho, incluindo o prejuízo em agropecuária, indústria e serviços. Já o prejuízo sobre o valor bruto da produção deve chegar a R$ 19,38 bilhões, na projeção da entidade. A Farsul destaca que se não houver chuva nos próximos dias as perdas irão aumentar progressivamente.