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Região Carboífera,terça - feira, 22 fevereiro, 2011
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Um amor à arte
Os bastidores da Associação Cultural Faces

Em pleno período de férias de verão, os integrantes da Associação Cultural Faces, de Charqueadas, abriram as cortinas do teatro para contar os altos e baixos de vidas dedicadas a promover cultura. Em meio a cenários, figurinos e muitos troféus conquistados em vários festivais do estado, a história da Faces ganha os holofotes e o aplauso da plateia ao narrar fatos poéticos e dramáticos dessa trajetória.

Os espetáculos

Tudo começou quando os integrantes que já faziam parte de um extinto grupo de teatro, o antigo Paiol, desejavam continuar com a ideia de encenar, criando, assim, um grupo de estudos voltado para a arte cênica. Mas, para isso, precisavam ter uma estrutura constituída, tanto em nível de elenco como de local para ensaiar. No ano de 2003, fundaram então a Associação Cultural Faces. O primeiro trabalho realizado foi o teatro “Auto de Natal Bem Brasileiro”, deixando transparecer a identidade da associação: a inserção do canto e da dança e a utilização de materiais recicláveis para compor os figurinos e cenários. A partir daí, os espetáculos não pararam mais.
Em 2005, foi a vez da peça “O Amor de Madalena”, apresentando um texto mais dramático, uma mescla de folclore, dança e canto. A montagem permaneceu até 2008 e rendeu os primeiros troféus para a associação. Em 2007, com o objetivo de alcançar o público infantil, a Faces monta “Pluft, o Fantasminha”. Em seguida, já com um elenco maior, com um texto próprio, nasce o espetáculo “Bem-me-quer, mal-me-quer”, onde uma atmosfera de samba embala o coração dos personagens, dando vida a um jovem comunista, uma atriz burguesa e uma sonhadora cantora de rádio.
Em 2008, com “A Serpente”, o grupo procura experimentar novas linguagens teatrais. De autoria de Nelson Rodrigues, a peça abordava um delicado tema familiar: a paixão de duas irmãs pelo mesmo homem. Nesse mesmo ano, a associação, depois de bastante tempo peregrinando em busca de espaços para os ensaios e para as apresentações, aluga o prédio da Escola Arte Viva, no centro da cidade, para ser a nova sede.
Com muita comédia e improvisação, no ano seguinte, é lançada a peça “Os imbromáveis”. O público infantil também ganha uma montagem com o espetáculo “Maria Minhoca”. No ano de 2010, através do incentivo do Fundo Municipal de Cultura, foram lançados os trabalhos Botequim Cultural, a peça As Máscaras e Acrobacia em Tecidos.

O que acontece quando as cortinas se fecham

Mas nem tudo são flores para quem faz teatro. Hoje, a atual composição da Associação Cultural Faces precisa apresentar muitas peças para pagar o aluguel da sede. O sonho de ter o próprio espaço não está descartado, mas o grupo sabe que a tarefa não é fácil. A atual formação, composta por Gustavo Teixeira, Eduardo Arruda, Rodrigo Ruiz, Vladimir Oliveira, Iara Elisa, Thiago Oliveira, Júlio Ruduit, Leonardo Silveira, Clarissa Figueiró, Aimar Patrícia, Desireé Andrade, Jean Netto e Priscila Arruda encara o teatro como uma segunda profissão. Com o objetivo de divulgar cultura, o preço popular cobrado para a entrada dos espetáculos, na maioria das vezes não cobre as despesas da sede. As viagens para outros municípios para participar de festivais acontecem graças ao incentivo das empresas de Charqueadas e da região. As apresentações já foram realizadas nas cidades de Encantado, Capão da Canoa, Osório, Rolante, Bento Gonçalves,Caxias do Sul, Arroio dos Ratos e São Jerônimo. Os ensaios para as peças acontecem durante a madrugada, já que cada integrante exerce uma outra profissão durante o dia. “Até sopão cultural já realizamos, para conseguirmos recursos para pagar as contas”, relatam os atores. A associação também desenvolve oficinas voltadas para o público infantil, como a peça “Frankenstinho” despertando nesse público o amor pelo teatro.

Planos para 2011

Ainda em período de férias, a associação pretende, este ano, desenvolver três projetos patrocinados pelo Fundo Municipal de Cultura voltados para acrobacia em tecidos, malabares e um espetáculo de comédia. O objetivo é tornar o trabalho realizado pela Faces mais conhecido dentro do próprio município, melhorando a divulgação dos espetáculos para, assim, ter um número maior de pessoas na plateia. “Quando olhamos para trás, nos damos conta que conseguimos muita coisa boa. Apesar de muita gente não conhecer nosso trabalho, este aqui é o teatro da cidade”, desabafa o ator e diretor Eduardo Arruda. Os atores falam que por causa das dificuldades e pelos poucos recursos já pensaram em desistir. “Não desistimos ainda só pelo fato do teatro ser a nossa paixão”.


Um auto de Natal Bem Brasileir" foi o primeiro Espetáculo montato pela Associação
“O Amor de Madalena”, mesclou folclore, dança e canto e ficou em cartaz no período de 2005 e 2008
Com “Plutf,o Fantasminha” a associação atingiu o público infantil
“Maria Minhoca”: uma irreverente história de amor para as crianças
Com texto original, “Bem-me-quer-, mal-me-quer”, embala uma atmosfera de samba embala os personagens