REGIONAL
Manifestação em defesa do carvão
mineral
Cerca de 300 pessoas
participaram, na última sexta-feira, 2, de uma nova manifestação
na rodovia BR-290, no trevo de acesso ao município de Minas do
Leão, em prol do carvão mineral. O ato iniciou pela manhã,
com a entrega de panfletos e adesivos aos veículos que passavam
pelo local, e, à tarde, ocorreu o bloqueio das pistas da rodovia
por mais de uma hora, quando foram proferidos discursos em defesa do
mineral, com a participação de funcionários de
empresas ligadas ao carvão, sindicalistas, vereadores e prefeitos
da região e da cidade de Candiota, além da presença
de deputados estaduais e federais. Protesto semelhante já havia
acontecido no dia anterior e, também, em outras cidades do Estado.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Mineiros, Oniro da Silva
Camilo, a manifestação foi para manter a mobilização
que iniciou no dia 8 de agosto, para a inclusão do carvão
mineral no leilão da matriz energética do país.
No dia 25, foi publicada no Diário Oficial uma portaria e o carvão
mineral não participa do leilão A-5. A manifestação
também serve para reivindicar a manutenção da Usina
de São Jerônimo e da Usina de Charqueadas. Através
de um documento da ANEEL, se houver a redução da Conta
de Desenvolvimento Energético (CDE) de 2030 para 2015, a Usina
de Charqueadas e a de São Jerônimo fecharão, gerando
um número elevado de desemprego na Região.
Documento
entregue a presidente
A manhã
de sexta-feira, uma comitiva formada por deputados e pelo presidente
do Sindicato dos Mineiros, apoiados pelo governador do Estado, Tarso
Genro, e pelos governadores dos estados de Santa Catarina e Parará,
aproveitando a visita da presidente Dilma Rousseff ao Estado, durante
a Expointer, em Esteio, conseguiu entregar um documento com as reivindicações
que provocaram a manifestação. Leia no quadro ao lado
a íntegra do material entregue à presidente
Audiências
nos próximos dias
Nos próximos
dias 13, 14 e 15 desse mês, uma comitiva formada por deputados,
prefeitos, vereadores, sindicalistas e mineiros sairá do Estado
rumo a Brasília para participar de audiências públicas
sobre a situação do carvão mineral, com o intuito
de sensibilizar o governo federal para a inclusão das termelétricas
no leilão.
Para o Deputado Estadual Valdeci de Oliveira (PT), coordenador da frente
parlamentar que trata do assunto no Estado, o governo precisa estabelecer
definitivamente uma política de inclusão do carvão
na matriz energética do país. Oliveira está otimista
com o possível resultado das audiências na capital federal:
- Espero que a comitiva que vai a Brasília possa trazer uma resposta
positiva. A Região Carbonífera não está
sozinha, pois conta com o apoio do município de Candiota e o
Estado de Santa Catarina. Com esta força política, o governo
federal deve ser sensível a esta reivindicação
- afirmou.
O que diz a CRM
De acordo com o presidente da Companhia Riograndense de Mineração
(CRM), Elifas Simas, que será afetada com a não participação
das termelétricas no leilão, e o possível fechamento
das usinas na região, declarou apoiar o ato, no entanto, disse
que a CRM não fechará as portas, pois a mina de Minas
do Leão é histórica e vai continuar operando.
- Não temos a intenção de fechar a Mina, pelo contrário,
queremos aumentar o trabalho- afirmou.
O que diz a Tractebel
Citada durante o protesto como passível de fechamento, até
o encerramento dessa edição, a direção da
Usina de Charqueadas não se manifestou sobre o caso.
Copergs
elabora manifesto de apoio
O Comitê
de Planejamento Energético do Estado do Rio Grande do Sul (Copergs)
realizou na tarde de ontem, 5, no auditório do Centro Administrativo
Fernando Ferrari, em Porto Alegre, a primeira reunião do grupo
para discutir o setor energético do Estado. Na pauta, esteve
a discussão de soluções para a regularização
do nível de tensão de energia no meio rural e a questão
do carvão mineral. Na oportunidade, o Copergs aprovou, por unanimidade,
a proposta de elaborar um manifesto assinado por todas as entidades
que integram o Comitê de apoio a inclusão das térmicas
a carvão no leilão A-5, do governo Federal, que ocorrerá
em dezembro.
Excelentíssima
senhora, Dilma Rousseff:
“Foi
no Rio Grande do Sul que há 175 anos nasceu o grito de liberdade
que alicerçado na força e rebeldia farrapa, proclamou
a República Rio-grandense e promoveu a maior epopéia desse
país. A Luta de um povo ousado e criativo, que colocou barcos
em cima de carretas puxadas por bois e atravessou este Estado indo lutar
contra as forças imperiais no vizinho Estado de Santa Catarina
e lá junto com os irmãos catarinenses, proclamaram a República
Juliana, unidos por ideais de desenvolvimento e riqueza.
Da mesma forma, em 1961, quando novamente se fez necessário,
do Rio Grande brotou outro grito de pela liberdade – O movimento
da Legalidade, assegurando ao vice-presidente eleito dessa nação
a sustentação para tomar posse como presidente da República
após a renúncia do então presidente Jânio
Quadros.
Somos um povo que cultua a liberdade e seguindo a nossa vocação
histórica de lutas, outra vez no Rio Grande do Sul e Santa Catarina
brota um novo grito de liberdade e em defesa da nossa maior riqueza
– O carvão Mineral.
Não podemos abrir mão dessa riqueza econômica, fonte
de geração de empregos e renda para as nossas regiões
e com isso promover maior igualdade social nestes pagos, participando
assim do Projeto Nacional de Erradicação da Miséria
do vosso governo do qual apoiamos integralmente.
Gerar energia elétrica a partir do carvão mineral não
é somente importante do ponto de vista estratégico para
o Brasil, é também a promoção do desenvolvimento
econômico e social de uma das regiões mais esquecidas do
nosso país, por isso consideramos tratar-se de um assunto de
Soberania Nacional.
Queremos minerar de forma equilibrada e sustentável, respeitando
e protegendo nosso “bioma pampa”. Utilizando tecnologia
de alto nível, hoje é possível gerar energia com
baixíssimo impacto ambiental. Os dados do controle ambiental
da Usina Presidente Médici comprovam isso.
É possível extrair o carvão e posteriormente recuperar
o solo garantindo sua viabilidade para o replantio e recuperação
nativa.
É sabido por todos que cada região tem suas peculiaridades
e riquezas naturais que garantem o sustento e o desenvolvimento da população
que ali habita. Em nossas regiões o que garante isso é
o carvão mineral e assim como nossos irmãos do Norte e
Nordeste, que estão aprendendo a explorar as imensas riquezas
da Amazônia, preservando o meio ambiente, nós aqui dos
campos do Sul também sabemos fazer isso.
Unidos, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná ousamos mais
uma vez proclamar a Liberdade, liberdade para o “Carvão
Mineral”- o ouro negro que irá libertar nossa empobrecida
região do subdesenvolvimento e do compromisso e da desigualdade
social.
Somos conhecedores dos tratados internacionais e do compromisso do Brasil
no que tange ao cuidado com o meio ambiente, mas queremos dividir ônus
e bônus com as demais regiões do país, mas sempre
resguardando a proporcionalidade do tamanho dessas regiões e
do grau de comprometimento assumido pelas mesmas neste imenso Brasil.
Estamos solicitando a inclusão da geração de energia
elétrica a partir do carvão mineral, na portaria nº
498, de 25 de agosto passado, do ministério de Minas e Energia,
para a participação no leilão A-5, previsto para
dezembro desse ano.
Com responsabilidade social e ambiental, seguiremos nossa luta pela
defesa do carvão mineral, fonte de riqueza das Regiões
do Sul do país”.
Assinaram o documento
o presidente do Sindicato dos Mineiros, Oniro da Silva Camilo, e, o
prefeito de Candiota, Luiz Carlos Folador.
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