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Região Carbonifera, terça-feira, 6 setembro, 2011
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REGIONAL
Manifestação em defesa do carvão mineral

Cerca de 300 pessoas participaram, na última sexta-feira, 2, de uma nova manifestação na rodovia BR-290, no trevo de acesso ao município de Minas do Leão, em prol do carvão mineral. O ato iniciou pela manhã, com a entrega de panfletos e adesivos aos veículos que passavam pelo local, e, à tarde, ocorreu o bloqueio das pistas da rodovia por mais de uma hora, quando foram proferidos discursos em defesa do mineral, com a participação de funcionários de empresas ligadas ao carvão, sindicalistas, vereadores e prefeitos da região e da cidade de Candiota, além da presença de deputados estaduais e federais. Protesto semelhante já havia acontecido no dia anterior e, também, em outras cidades do Estado.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Mineiros, Oniro da Silva Camilo, a manifestação foi para manter a mobilização que iniciou no dia 8 de agosto, para a inclusão do carvão mineral no leilão da matriz energética do país. No dia 25, foi publicada no Diário Oficial uma portaria e o carvão mineral não participa do leilão A-5. A manifestação também serve para reivindicar a manutenção da Usina de São Jerônimo e da Usina de Charqueadas. Através de um documento da ANEEL, se houver a redução da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) de 2030 para 2015, a Usina de Charqueadas e a de São Jerônimo fecharão, gerando um número elevado de desemprego na Região.

Documento entregue a presidente

A manhã de sexta-feira, uma comitiva formada por deputados e pelo presidente do Sindicato dos Mineiros, apoiados pelo governador do Estado, Tarso Genro, e pelos governadores dos estados de Santa Catarina e Parará, aproveitando a visita da presidente Dilma Rousseff ao Estado, durante a Expointer, em Esteio, conseguiu entregar um documento com as reivindicações que provocaram a manifestação. Leia no quadro ao lado a íntegra do material entregue à presidente

Audiências nos próximos dias

Nos próximos dias 13, 14 e 15 desse mês, uma comitiva formada por deputados, prefeitos, vereadores, sindicalistas e mineiros sairá do Estado rumo a Brasília para participar de audiências públicas sobre a situação do carvão mineral, com o intuito de sensibilizar o governo federal para a inclusão das termelétricas no leilão.
Para o Deputado Estadual Valdeci de Oliveira (PT), coordenador da frente parlamentar que trata do assunto no Estado, o governo precisa estabelecer definitivamente uma política de inclusão do carvão na matriz energética do país. Oliveira está otimista com o possível resultado das audiências na capital federal:
- Espero que a comitiva que vai a Brasília possa trazer uma resposta positiva. A Região Carbonífera não está sozinha, pois conta com o apoio do município de Candiota e o Estado de Santa Catarina. Com esta força política, o governo federal deve ser sensível a esta reivindicação - afirmou.

O que diz a CRM
De acordo com o presidente da Companhia Riograndense de Mineração (CRM), Elifas Simas, que será afetada com a não participação das termelétricas no leilão, e o possível fechamento das usinas na região, declarou apoiar o ato, no entanto, disse que a CRM não fechará as portas, pois a mina de Minas do Leão é histórica e vai continuar operando.
- Não temos a intenção de fechar a Mina, pelo contrário, queremos aumentar o trabalho- afirmou.

O que diz a Tractebel
Citada durante o protesto como passível de fechamento, até o encerramento dessa edição, a direção da Usina de Charqueadas não se manifestou sobre o caso.

Copergs elabora manifesto de apoio

O Comitê de Planejamento Energético do Estado do Rio Grande do Sul (Copergs) realizou na tarde de ontem, 5, no auditório do Centro Administrativo Fernando Ferrari, em Porto Alegre, a primeira reunião do grupo para discutir o setor energético do Estado. Na pauta, esteve a discussão de soluções para a regularização do nível de tensão de energia no meio rural e a questão do carvão mineral. Na oportunidade, o Copergs aprovou, por unanimidade, a proposta de elaborar um manifesto assinado por todas as entidades que integram o Comitê de apoio a inclusão das térmicas a carvão no leilão A-5, do governo Federal, que ocorrerá em dezembro.

Excelentíssima senhora, Dilma Rousseff:

“Foi no Rio Grande do Sul que há 175 anos nasceu o grito de liberdade que alicerçado na força e rebeldia farrapa, proclamou a República Rio-grandense e promoveu a maior epopéia desse país. A Luta de um povo ousado e criativo, que colocou barcos em cima de carretas puxadas por bois e atravessou este Estado indo lutar contra as forças imperiais no vizinho Estado de Santa Catarina e lá junto com os irmãos catarinenses, proclamaram a República Juliana, unidos por ideais de desenvolvimento e riqueza.
Da mesma forma, em 1961, quando novamente se fez necessário, do Rio Grande brotou outro grito de pela liberdade – O movimento da Legalidade, assegurando ao vice-presidente eleito dessa nação a sustentação para tomar posse como presidente da República após a renúncia do então presidente Jânio Quadros.
Somos um povo que cultua a liberdade e seguindo a nossa vocação histórica de lutas, outra vez no Rio Grande do Sul e Santa Catarina brota um novo grito de liberdade e em defesa da nossa maior riqueza – O carvão Mineral.
Não podemos abrir mão dessa riqueza econômica, fonte de geração de empregos e renda para as nossas regiões e com isso promover maior igualdade social nestes pagos, participando assim do Projeto Nacional de Erradicação da Miséria do vosso governo do qual apoiamos integralmente.
Gerar energia elétrica a partir do carvão mineral não é somente importante do ponto de vista estratégico para o Brasil, é também a promoção do desenvolvimento econômico e social de uma das regiões mais esquecidas do nosso país, por isso consideramos tratar-se de um assunto de Soberania Nacional.
Queremos minerar de forma equilibrada e sustentável, respeitando e protegendo nosso “bioma pampa”. Utilizando tecnologia de alto nível, hoje é possível gerar energia com baixíssimo impacto ambiental. Os dados do controle ambiental da Usina Presidente Médici comprovam isso.
É possível extrair o carvão e posteriormente recuperar o solo garantindo sua viabilidade para o replantio e recuperação nativa.
É sabido por todos que cada região tem suas peculiaridades e riquezas naturais que garantem o sustento e o desenvolvimento da população que ali habita. Em nossas regiões o que garante isso é o carvão mineral e assim como nossos irmãos do Norte e Nordeste, que estão aprendendo a explorar as imensas riquezas da Amazônia, preservando o meio ambiente, nós aqui dos campos do Sul também sabemos fazer isso.
Unidos, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná ousamos mais uma vez proclamar a Liberdade, liberdade para o “Carvão Mineral”- o ouro negro que irá libertar nossa empobrecida região do subdesenvolvimento e do compromisso e da desigualdade social.
Somos conhecedores dos tratados internacionais e do compromisso do Brasil no que tange ao cuidado com o meio ambiente, mas queremos dividir ônus e bônus com as demais regiões do país, mas sempre resguardando a proporcionalidade do tamanho dessas regiões e do grau de comprometimento assumido pelas mesmas neste imenso Brasil.
Estamos solicitando a inclusão da geração de energia elétrica a partir do carvão mineral, na portaria nº 498, de 25 de agosto passado, do ministério de Minas e Energia, para a participação no leilão A-5, previsto para dezembro desse ano.
Com responsabilidade social e ambiental, seguiremos nossa luta pela defesa do carvão mineral, fonte de riqueza das Regiões do Sul do país”.

Assinaram o documento o presidente do Sindicato dos Mineiros, Oniro da Silva Camilo, e, o prefeito de Candiota, Luiz Carlos Folador.