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Região Carbonifera, terça-feira, 9 agosto, 2011
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Uma corrente de Liderança
Jovens que buscam nos valores cidadãos o diferencial para suas vidas

Juliana Vencato

Eles fazem parte da geração Y. Concebidos em meio à era digital, estes jovens de vinte e poucos anos sempre tiveram tudo o que desejavam. Os pais, preocupados em suprir a ausência que o trabalho os impunha, dedicavam a estes filhos a atenção recheada de presentes e outros bens materiais e deixavam em segundo plano os valores familiares. Hoje esta geração está chegando à frente do mercado, está começando a aparecer perante a sociedade. Alguns se destacam pelo ótimo desempenho nas empresas, pelas ideias inovadoras e por enfrentar os desafios confiantes no seu potencial de liderança. O questionamento que nos fazemos é: o que fez a diferença na vida destes jovens que não precisaram das drogas e futilidades que o mundo oferece para viverem intensamente sua adolescência?
Dom Zeno Hastenteufel, Bispo de Novo Hamburgo e criador do Curso de Liderança Juvenil (CLJ), diz que enfrenta os mesmos problemas com os jovens de hoje e os de alguns anos atrás: “Eu acho que não há grandes mudanças na juventude de hoje para a de vinte ou trinta anos atrás. A situação é praticamente a mesma, era uma juventude totalmente alheia a tudo que era coisa religiosa, e outra tocada pela força da graça. São dois tipos de jovens: os que têm valores e os que não têm”. A explicação é dada a partir da convivência que o bispo teve com as duas ultimas gerações. Fundador do movimento de liderança da Igreja Católica em 1974, ele diz que buscou mostrar para estes jovens que participavam do CLJ que o mundo tinha solução e que o que estava faltando na sociedade eram valores.
O Curso de Liderança Juvenil da Igreja Católica do Rio Grande do Sul já formou milhares de líderes em seus 37 anos de existência, e são estas pessoas, munidas de valores familiares e de experiências de liderança, que motivam novos jovens a encarar a realidade do mundo. No Brasil existem vários grupos dedicados à formação de jovens, com enfoques diversos, indo de práticas esportivas, culturais, até as religiosas. Os orientadores destas entidades têm o objetivo de formar lideranças para a sociedade, resgatando nestes jovens os valores de ética, cidadania e educação que foram deixados em segundo plano na sua formação.
Diferentemente dos adolescentes da sua geração que não se interessaram pela busca de novos objetivos, os jovens pertencentes ao CLJ tomaram outros rumos em suas vidas depois que entraram no movimento. O que mais chama a atenção é que estes grupos de liderança formam uma corrente que se estende por muitas décadas. Roberta Vencato, 24 anos é estudante de psicologia e participa do CLJ há nove anos. Sua vontade de participar do grupo veio ainda de casa, por influência dos pais e dos tios que já haviam participado: “Eu tinha uma vontade muito grande de ser de um grupo de jovens, pelo o que eu via nas missas e porque os meus tios mais novos ainda faziam parte. Por isso, por curiosidade e talvez por tradição eu resolvi entrar”.
Outro fator que estes adolescentes da geração Y destacam é que os grupos de jovens não os auxiliam somente na sua formação como líderes, mas também são responsáveis pela formação de caráter, de pessoas mais humanas e com destaque na sociedade. Juliano Frigatti, de Canoas, diz que foi enganado pelo CLJ. Hoje formado em jornalismo ele conta como o movimento mudou o seu jeito de ser:
- A minha vivência dentro do CLJ foi uma verdadeira enganação. Passei seis anos achando que lá eu ia aprender a rezar, a ler a bíblia, a evangelizar. Depois que eu olhei pra traz, quando havia encerrado o meu ciclo, vi que o movimento havia me passado a perna e entendi porque ele se chama Curso de Liderança Juvenil. Depois dele eu me tornei outra pessoa. Com mais fé, e com muito mais do que isso, o CLJ me tornou um líder de verdade- explica Frigatti.
No último mês, mais 67 jovens da Região Carbonífera deixaram a internet de lado e buscaram uma nova experiência de liderança baseada nos valores de família, respeito e amor ao próximo. O 37° CLJ da Área Pastoral de São Jerônimo aconteceu no dias 22, 23 e 24 de julho e trouxe para região, jovens com um pensamento renovado e prontos para modificar a sociedade.
- Com certeza nós aprendemos a enxergar o mundo e as pessoas de forma diferente, uma forma mais questionadora e ao mesmo tempo compreensiva, pois não somos líderes somente dentro do movimento, mas sim, em qualquer ambiente e situação e agora é a nossa chance de botar isto em prática- afirma Fernanda Lauermam, atuante a cinco anos no CLJ de Charqueadas.
O objetivo deles agora é fazer uma revolução silenciosa no mundo. Sem o estardalhaço e as bandeiras das décadas passadas, mas com os valores ensinados por eles o com o conceito de que o mundo pode ser melhor se todos estiverem unidos por um único objetivo.