Uma corrente de Liderança
Jovens que buscam nos valores cidadãos o
diferencial para suas vidas
Juliana Vencato
Eles fazem parte
da geração Y. Concebidos em meio à era digital,
estes jovens de vinte e poucos anos sempre tiveram tudo o que desejavam.
Os pais, preocupados em suprir a ausência que o trabalho os impunha,
dedicavam a estes filhos a atenção recheada de presentes
e outros bens materiais e deixavam em segundo plano os valores familiares.
Hoje esta geração está chegando à frente
do mercado, está começando a aparecer perante a sociedade.
Alguns se destacam pelo ótimo desempenho nas empresas, pelas
ideias inovadoras e por enfrentar os desafios confiantes no seu potencial
de liderança. O questionamento que nos fazemos é: o que
fez a diferença na vida destes jovens que não precisaram
das drogas e futilidades que o mundo oferece para viverem intensamente
sua adolescência?
Dom Zeno Hastenteufel, Bispo de Novo Hamburgo e criador do Curso de
Liderança Juvenil (CLJ), diz que enfrenta os mesmos problemas
com os jovens de hoje e os de alguns anos atrás: “Eu acho
que não há grandes mudanças na juventude de hoje
para a de vinte ou trinta anos atrás. A situação
é praticamente a mesma, era uma juventude totalmente alheia a
tudo que era coisa religiosa, e outra tocada pela força da graça.
São dois tipos de jovens: os que têm valores e os que não
têm”. A explicação é dada a partir
da convivência que o bispo teve com as duas ultimas gerações.
Fundador do movimento de liderança da Igreja Católica
em 1974, ele diz que buscou mostrar para estes jovens que participavam
do CLJ que o mundo tinha solução e que o que estava faltando
na sociedade eram valores.
O Curso de Liderança Juvenil da Igreja Católica do Rio
Grande do Sul já formou milhares de líderes em seus 37
anos de existência, e são estas pessoas, munidas de valores
familiares e de experiências de liderança, que motivam
novos jovens a encarar a realidade do mundo. No Brasil existem vários
grupos dedicados à formação de jovens, com enfoques
diversos, indo de práticas esportivas, culturais, até
as religiosas. Os orientadores destas entidades têm o objetivo
de formar lideranças para a sociedade, resgatando nestes jovens
os valores de ética, cidadania e educação que foram
deixados em segundo plano na sua formação.
Diferentemente dos adolescentes da sua geração que não
se interessaram pela busca de novos objetivos, os jovens pertencentes
ao CLJ tomaram outros rumos em suas vidas depois que entraram no movimento.
O que mais chama a atenção é que estes grupos de
liderança formam uma corrente que se estende por muitas décadas.
Roberta Vencato, 24 anos é estudante de psicologia e participa
do CLJ há nove anos. Sua vontade de participar do grupo veio
ainda de casa, por influência dos pais e dos tios que já
haviam participado: “Eu tinha uma vontade muito grande de ser
de um grupo de jovens, pelo o que eu via nas missas e porque os meus
tios mais novos ainda faziam parte. Por isso, por curiosidade e talvez
por tradição eu resolvi entrar”.
Outro fator que estes adolescentes da geração Y destacam
é que os grupos de jovens não os auxiliam somente na sua
formação como líderes, mas também são
responsáveis pela formação de caráter, de
pessoas mais humanas e com destaque na sociedade. Juliano Frigatti,
de Canoas, diz que foi enganado pelo CLJ. Hoje formado em jornalismo
ele conta como o movimento mudou o seu jeito de ser:
- A minha vivência dentro do CLJ foi uma verdadeira enganação.
Passei seis anos achando que lá eu ia aprender a rezar, a ler
a bíblia, a evangelizar. Depois que eu olhei pra traz, quando
havia encerrado o meu ciclo, vi que o movimento havia me passado a perna
e entendi porque ele se chama Curso de Liderança Juvenil. Depois
dele eu me tornei outra pessoa. Com mais fé, e com muito mais
do que isso, o CLJ me tornou um líder de verdade- explica Frigatti.
No último mês, mais 67 jovens da Região Carbonífera
deixaram a internet de lado e buscaram uma nova experiência de
liderança baseada nos valores de família, respeito e amor
ao próximo. O 37° CLJ da Área Pastoral de São
Jerônimo aconteceu no dias 22, 23 e 24 de julho e trouxe para
região, jovens com um pensamento renovado e prontos para modificar
a sociedade.
- Com certeza nós aprendemos a enxergar o mundo e as pessoas
de forma diferente, uma forma mais questionadora e ao mesmo tempo compreensiva,
pois não somos líderes somente dentro do movimento, mas
sim, em qualquer ambiente e situação e agora é
a nossa chance de botar isto em prática- afirma Fernanda Lauermam,
atuante a cinco anos no CLJ de Charqueadas.
O objetivo deles agora é fazer uma revolução silenciosa
no mundo. Sem o estardalhaço e as bandeiras das décadas
passadas, mas com os valores ensinados por eles o com o conceito de
que o mundo pode ser melhor se todos estiverem unidos por um único
objetivo.
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