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Região Carbonifera, terça-feira, 22 novembro, 2011
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PERFIL EMPRESARIAL
Fascínio pelo crescimento das pessoas


O Perfil Empresarial de hoje entrevistou Neusa Albert, proprietária da escola de idiomas CNA, em Charqueadas. Com muita dedicação e com espírito empreendedor, Neusa conquistou o seu espaço e hoje tem seu nome reconhecido no segmento. Confira a entrevista:

Como surgiu o interesse para ter um negócio próprio, no caso, uma escola de idiomas?
Na verdade eu não pretendia ir para o lado empresarial. Estudei letras e cheguei a lecionar português e inglês no segundo grau. Pelo fato de vir de uma empresa familiar e desde pequena observar as preocupações de meu pai com os investimentos, não estava nos meus planos empreender. A escola “caiu no meu colo” por solicitação de uma substituição.

Terias como contar, em linhas gerais, a história da implantação do CNA em Charqueadas? Qual foi o fator motivador?
Foi da forma mais simples e fantástica. Quando estava me decidindo profissionalmente, na época eu havia passado em um concurso público e estava em processo de monitoria na Unisinos, nas turmas de básico. Escutei barulho de pessoas na frente da minha casa. Para minha surpresa, eram pais com seus filhos pedindo que eu continuasse nas aulas particulares de inglês, que naquele momento eu havia encerrado. Sempre gosto de citar o nome da Neli Barisch, na época diretora da escola onde eu estagiei. Ela foi sucinta e certeira quando me aconselhou. O fator motivador foi o reconhecimento que tive no pouco tempo de trabalho na área, pelos alunos e suas famílias. Ser educadora significava e ainda significa fortemente, ir muito além de uma sala de aula.

Enfrestaste dificuldades para empreender em Charqueadas? Em caso positivo, quais foram os fatores e a forma de resolução dos obstáculos?
Não existe no meu dicionário a palavra “dificuldade”. Desde a fundação da escola em 1989 até hoje. Memorável foi a educação que recebi, desde pequena meus pais canalizavam a minha energia de forma produtiva. Muito empenho e, sem dúvidas, o poder do exemplo me instigaram a nunca ficar numa zona de conforto, independente onde e o que estivesse fazendo.

O CNA é reconhecido pela qualidade dos serviços que presta. Qual é a receita do sucesso?
Como educadora eu sei que além de o calendário escolar ser efetivamente cumprido, há muito mais a ser feito. Com essa consciência aliada à franquia da marca CNA que vem se expandindo e se fortalecendo de forma sólida em todo Brasil através de uma metodologia comunicativa, interativa, com material didático próprio e renovado constantemente, com chave de acesso para os alunos na internet, treinamentos às mais de quinhentas escolas espalhadas no país num propósito único: acertar no resultado porque miramos na excelência.

Existe alguma coisa de especial na sua maneira de dirigir a escola? Qual o conselho para quem deseja lançar-se nos negócios?
Comprometimento. É a mais absoluta verdade. Se nós estivermos bem intencionados em relação a tudo o que fizermos e formos autênticos naquilo que pregamos e fazemos, as pessoas captam, acreditam e assumem a postura de acreditar em você, na sua marca, tudo conspira a favor, e aquilo que muitas vezes poderia ser uma obrigação, passa a ser uma realização. Os colaboradores precisam estar preparados e serem instigados a ter autonomia para resolver qualquer tipo de situação, preservando o conteúdo, a essência da empresa. Temos que maximizar a nossa capacidade de não apenas honrar os compromissos financeiros, mas tantos outros. Medidas de austeridade e disciplina precisam vigorar dentro de um equilíbrio saudável. Eu cresci com muitos valores incutidos e isso me encheu de autoconfiança. Os meus estudos foram em escola de freiras e depois padres, bem disciplinadores. Em casa eu tinha bastante liberdade, desde preparar um bolo, fazer uma festinha com direito a show para as amiguinhas com plateia e microfone improvisados. A bagunça dá oportunidade de se sair do comum e criar. Mas era muito claro para mim que havia comando e regras. Quando temos liberdade de explorar a nossa criatividade de forma produtiva, aguçamos muito dispositivos. Hoje sinto que a maioria das crianças são um pouco privadas de descobertas, de atividades importantes, isso "engessa" as pessoas.

Em uma auto-análise, como você define o seu perfil empresarial?

Toda empresa se molda de acordo com a filosofia do seu fundador. A interação com os meus colaboradores, alunos e a família faz parte da minha filosofia de vida desde que me formei professora. Escolhi a Educação porque me fascina prestigiar o crescimento das pessoas, e quem passou pelo CNA sabe disso. Vibro com a evolução de alunos no mercado de trabalho. Gosto de acompanhar os movimentos dos meus ex-alunos, em que empresa estão trabalhando, o que estão fazendo. Acredito num modelo de trabalho flexível e abrangente. No nosso segmento de ensino, precisamos reproduzir o ambiente em que estamos inseridos e, não uma visão ilusória. É importante aproximarmos a Escola da vida.

Qual característica que um funcionário (professor) seu precisa ter?
Capacidade de se comunicar. Não adianta ter graduação, mestrado, doutorado PhD, ter morado anos no exterior se não tiver uma comunicação eficaz. O conhecimento por si só é estéril. Numa seleção sempre fico atenta às informações adicionais, porque ter conhecimento daquilo que vai fazer é o básico e imprescindível. Gosto daqueles que já se envolveram em ações sociais e ambientais por filantropia, em práticas esportivas, ou que apresentem conhecimento de cultura retrô, que gostam de preparar um churrasco ou recepcionar pessoas, e se tocarem um instrumento ou cantarem, melhor ainda. Enfim, pessoas com conteúdo, que valorizem a forma como se expõem à sociedade. Isso tudo nos dá sinais de liderança, conhecimento coletivo, capacidades para fazer análises críticas (fundamental na era da informação), raciocínio lógico, intuição e, principalmente discernimento a arregaçar as mangas quando for preciso. Porque as coisas só funcionam quando todos são participantes ativos no processo.

Há algum projeto de abertura de novas escolas na região?
Já tivemos pedidos via internet à matriz em São Paulo, cidades vizinhas solicitaram a instalação de mais uma Escola CNA, consultores visitaram a região para análise de campo, porém o número de habitantes e outros detalhes da região não viabilizaram o pedido. Quando se abre uma escola não se pode pensar em um número global apenas, temos que oferecer uma variada opção de níveis e horários. Enfrentamos incompatibilidade de horários, evasão, reprovação e precisamos manter as turmas em andamento. O ponto de equilíbrio é algo muito criterioso na avaliação da franquia. Tivemos duas escolas fortes em Charqueadas no passado: o Fisk e o Quatrum. Tenho certeza que nenhuma fechou por falta de qualidade, mas por este motivo. Há cidades que não comportam pela logística de funcionamento das turmas e níveis na escola. Não podemos seguir com turmas muito pequenas porque a médio prazo aparecem os problemas financeiros.

É difícil gerenciar um negócio próprio? Por quê?
Acho que a maioria dos empresários pensam às vezes: “Ah como eu gostaria de ser um empregado, encerrar o expediente e não ter grandes preocupações”. Porque quando se é empregado, nos preocupamos com o nosso bolso, e o empregador precisa muitas vezes tirar leite de pedra para resolver tudo que gira em torno do nosso universo de responsabilidades. O empregado por sua vez também gostaria de ser o seu próprio chefe. Enfim, escolhas implicam em ganhos e perdas. Na verdade, sendo empregador ou empregado temos que ser perseverantes, desenvolver nossa capacidade de resistir às frustrações, clareza dos objetivos e muita criatividade e dedicação. Sem esquecer que alto-astral é atitude, e dá energia extra.

O que não pode faltar no seu local de trabalho?

Há três pressupostos: Comprometimento, comunicação eficaz e liquidez nas ações. Isso reoxigena o dia a dia da empresa.

O espírito inovador e desafiador fazem parte do dia a dia de um empreendedor?
São duas premissas fundamentais. Não existem garantias na atividade empresarial, uma empresa de sucesso nasce, desenvolve e necessita sempre ser inovadora e dasafiadora, só assim é possível aumentar as probabilidades a favor. Sou uma ferrenha da tese que há uma linha muito tênue entre o ápice e o precipício.

O que faz para fugir do stress? Alguma atividade especial nas horas livres?
Gosto muito de ir a shows. Desde o conforto de um belo teatro até um ginásio gigante lotado. Também não me privo de encontrar com amigos, visitá-los e recebê-los expressando o meu carinho com uma receita nova. Cozinhar é uma maneira pessoal de dividir algo com alguém. Você naquele momento é a prioridade de alguém. É normal que nos sintamos estressados em alguns momentos, mas trabalhar freneticamente sem proporcionar momentos de encanto a nós mesmos, e nunca tendo tempo para pessoas queridas. Ser um workaholic é diferente de ser um worklover. Quem vive dizendo que não tempo deve perguntar a si mesmo: “Afinal, quem quero impressionar e sensibilizar levando essa vida?” Não tenho dúvidas que a pressão por resultados e por imagem desloca o eixo da nossa identidade. Isso não é nada inteligente, porque se acaba vivendo uma fantasia. Nenhum ser humano pode ser feliz só trabalhando. Temos que ser sensatos e delimitar as prioridades com bom senso.

Algum comentário livre que queira fazer?

A pergunta acima me remete à aluna Ísis Dalla-Lana, netinha do Roque e da Jane Della-Lana, que estudaram no CNA, e seus filhos Leonardo e Lucas que também se formaram no CNA. E agora neste semestre temos a Ísis, com 7 anos, filha do Leonardo e da Júlia, que também foi a nossa aluna. É muito gratificante e recompensador estarmos com a terceira geração estudando na escola. Estes vinte e três anos foram num vapt vupt.