EDUCAÇÃO E CULTURA o ESPORTES o GERAL o OPINIÃOo POLÍTICA o POLÍCIA o SAÚDE


..Geral
Região Carbonifera, sexta-feira, 28 outubro, 2011
SGR Martins Comunicação
Rua Cel. Soares de Carvalho, 590 – sala 2 – Sobreloja
96700-000 – São Jerônimo/RS
(51) 3651.4041 | portaldenoticias@terra.com.br
O senhor das medalhas
Conheça a história de Nilo, que com passos determinados e ágeis conquista vitórias

Viviane Bueno

Um homem e suas medalhas. Muitas, por sinal. Essa é a frase mais precisa para defini-lo. E foi nas ruas, no coração da cidade, que ele as conquistou. Aos 69 anos, Nilo Goulart Marques mostra o quanto é possível alcançar objetivos, pois nem mesmo a idade e os tropeços do caminho são vistos como obstáculos. Corredor de rua e também ciclista, o primeiro desafio foi incentivado pela filha Elisângela Goulart, em 2003, durante uma gincana em Charqueadas. A partir daí, o que seria apenas o cumprimento de uma tarefa, virou paixão. Muitos municípios do Estado e também fora dele já foram palco das inúmeras vitórias de Nilo. Através de seus passos determinados e ágeis, ele leva o nome de sua terra para os quatro cantos do mundo.
No móvel da sala de estar de sua casa, já se percebe que ali mora um campeão. Orgulhoso, ele mostra e conta a história de cada troféu, guardado com carinho naquelas prateleiras.
- Foram várias as disputas. Corri na Meia Maratona Internacional de Florianópolis, na Meia Maratona Internacional do Uruguai, na São Silvestre – recorda.
Nem mesmo uma queda, no município de Pântano Grande, há três anos, na qual se machucou, o impediu de continuar correndo pelas ruas de seus sonhos. Entre os troféus e medalhas, foram 71 vezes que Nilo rompeu a faixa da vitória. Foram 71 vezes em que ele subiu no degrau mais alto do pódio.
Disciplinado, com o acompanhamento de um treinador, Nilo treina duas vezes por semana. Corre 10 quilômetros nas quatro voltas que dá em torno da Vila Aços Finos Piratini, em Charqueadas. Treina também na academia. Com a mesma distância, seu melhor tempo registrado foi de 42 minutos e 18 segundos.
- Gosto de correr lá na Vila. É mais calmo. Sossegado – revela.
Para manter o pique, Nilo dá atenção especial para a alimentação.
- Acordo cedo e tomo um copo grande de leite, com aveia, granola e suplemento alimentar. Como também um pão integral, com mel e queijo ricota – conta.
Mas como ninguém é de ferro, Nilo sai de fininho para a despensa e logo retorna com uma sacola cheia de guloseimas, com rapaduras, chocolates e barras de cereais.
- O chocolate é amargo, não é doce – justifica-se sorrindo.
Casado há 42 anos com dona Clair, 62, a esposa é uma grande incentivadora de Nilo, e não perde nenhuma viagem com o marido.
- É muito bom viajar. Andar de avião, nem se fala. Ficar em casa pra quê? – confidencia Clair.
Entre documentos com listas e fotos, Nilo compara o número total de corredores com a sua colocação.
- Foram 335 competidores de todas as categorias e eu fiquei em 34º lugar – avalia.
No auge de seus 69 anos, Nilo deixa muito menino para trás. Com um sorriso tímido, ele conquista amizades e incentiva os garotões a correrem.
- Já competi com participantes com 50 anos de diferença. Dias desses, estava treinando e uns guris tentaram me acompanhar. Não aguentaram correr. Mas eu incentivo. É muito bom para a saúde – afirma.
Mesmo com tantas conquistas acumuladas ao longo de oito anos de corrida, a emoção de esperar pela premiação ainda mexe com os sentimentos de Nilo.
- Corro com muitas pessoas. Quando termino o percurso, não sei em que colocação fiquei. É emocionante escutar meu nome na lista dos classificados. Em Florianópolis, perdi para o campeão mundial da modalidade. Fiquei em segundo lugar. Foi marcante – lembra.
Com prestígio de atleta internacional, incentivado por patrocinadores, Nilo segue correndo e vencendo. Não era para menos, já que carrega a grandeza em seu nome. Assim como o grande rio Nilo é sinônimo de vida no nordeste da África, o Nilo daqui dá exemplo de superação e força de vontade. Com o peso do nome, ele vai traçando sua história. Para o domingo, já tem corrida marcada na capital gaúcha. E lá se vai Nilo. Volta para o coração da cidade, para as ruas, em busca de mais uma medalha. Perde-se em meio à multidão. A lição deixada por ele é que o importante não é chegar em primeiro lugar, mas sim, poder planejar a próxima aventura e esbanjar saúde.