O senhor das medalhas
Conheça a história de Nilo, que com
passos determinados e ágeis conquista vitórias
Viviane Bueno
Um homem e suas
medalhas. Muitas, por sinal. Essa é a frase mais precisa para
defini-lo. E foi nas ruas, no coração da cidade, que ele
as conquistou. Aos 69 anos, Nilo Goulart Marques mostra o quanto é
possível alcançar objetivos, pois nem mesmo a idade e
os tropeços do caminho são vistos como obstáculos.
Corredor de rua e também ciclista, o primeiro desafio foi incentivado
pela filha Elisângela Goulart, em 2003, durante uma gincana em
Charqueadas. A partir daí, o que seria apenas o cumprimento de
uma tarefa, virou paixão. Muitos municípios do Estado
e também fora dele já foram palco das inúmeras
vitórias de Nilo. Através de seus passos determinados
e ágeis, ele leva o nome de sua terra para os quatro cantos do
mundo.
No móvel da sala de estar de sua casa, já se percebe que
ali mora um campeão. Orgulhoso, ele mostra e conta a história
de cada troféu, guardado com carinho naquelas prateleiras.
- Foram várias as disputas. Corri na Meia Maratona Internacional
de Florianópolis, na Meia Maratona Internacional do Uruguai,
na São Silvestre – recorda.
Nem mesmo uma queda, no município de Pântano Grande, há
três anos, na qual se machucou, o impediu de continuar correndo
pelas ruas de seus sonhos. Entre os troféus e medalhas, foram
71 vezes que Nilo rompeu a faixa da vitória. Foram 71 vezes em
que ele subiu no degrau mais alto do pódio.
Disciplinado, com o acompanhamento de um treinador, Nilo treina duas
vezes por semana. Corre 10 quilômetros nas quatro voltas que dá
em torno da Vila Aços Finos Piratini, em Charqueadas. Treina
também na academia. Com a mesma distância, seu melhor tempo
registrado foi de 42 minutos e 18 segundos.
- Gosto de correr lá na Vila. É mais calmo. Sossegado
– revela.
Para manter o pique, Nilo dá atenção especial para
a alimentação.
- Acordo cedo e tomo um copo grande de leite, com aveia, granola e suplemento
alimentar. Como também um pão integral, com mel e queijo
ricota – conta.
Mas como ninguém é de ferro, Nilo sai de fininho para
a despensa e logo retorna com uma sacola cheia de guloseimas, com rapaduras,
chocolates e barras de cereais.
- O chocolate é amargo, não é doce – justifica-se
sorrindo.
Casado há 42 anos com dona Clair, 62, a esposa é uma grande
incentivadora de Nilo, e não perde nenhuma viagem com o marido.
- É muito bom viajar. Andar de avião, nem se fala. Ficar
em casa pra quê? – confidencia Clair.
Entre documentos com listas e fotos, Nilo compara o número total
de corredores com a sua colocação.
- Foram 335 competidores de todas as categorias e eu fiquei em 34º
lugar – avalia.
No auge de seus 69 anos, Nilo deixa muito menino para trás. Com
um sorriso tímido, ele conquista amizades e incentiva os garotões
a correrem.
- Já competi com participantes com 50 anos de diferença.
Dias desses, estava treinando e uns guris tentaram me acompanhar. Não
aguentaram correr. Mas eu incentivo. É muito bom para a saúde
– afirma.
Mesmo com tantas conquistas acumuladas ao longo de oito anos de corrida,
a emoção de esperar pela premiação ainda
mexe com os sentimentos de Nilo.
- Corro com muitas pessoas. Quando termino o percurso, não sei
em que colocação fiquei. É emocionante escutar
meu nome na lista dos classificados. Em Florianópolis, perdi
para o campeão mundial da modalidade. Fiquei em segundo lugar.
Foi marcante – lembra.
Com prestígio de atleta internacional, incentivado por patrocinadores,
Nilo segue correndo e vencendo. Não era para menos, já
que carrega a grandeza em seu nome. Assim como o grande rio Nilo é
sinônimo de vida no nordeste da África, o Nilo daqui dá
exemplo de superação e força de vontade. Com o
peso do nome, ele vai traçando sua história. Para o domingo,
já tem corrida marcada na capital gaúcha. E lá
se vai Nilo. Volta para o coração da cidade, para as ruas,
em busca de mais uma medalha. Perde-se em meio à multidão.
A lição deixada por ele é que o importante não
é chegar em primeiro lugar, mas sim, poder planejar a próxima
aventura e esbanjar saúde.
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