
NOVOS
INVESTIMENTOS “Nos aspectos geográficos Charqueadas estava preparada para receber o empreendimento”. Em entrevista, o consultor de empresas, Eduardo Souza de Nahuys Coelho, explica porque o município chamou a atenção das empresas de fabricação de plataforma de petróleo. |
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Rodrigo Ramazzini Foi o efeito “onde
passa um boi, passa uma boiada”. Ou melhor, onde se instala uma
empresa, se instala várias. Assim, pode ser definida a nova estrutura
industrial que começa a nascer no município de Charqueadas,
voltada para a fabricação de módulos para plataforma
de petróleo. Depois do anúncio da instalação
da unidade da IESA Óleo & Gás, há alguns meses,
em uma área na Granja Carola, a chegada de novos empreendimentos
deslanchou na cidade. A empresa Engecampo Engenharia Industrial, confirmou
no início do mês que, também, construirá
uma fábrica no município. Ainda, é sabido que outras
empresas estão em processo de negociação para adquirirem
área e incentivos fiscais para a instalação de
unidades em Charqueadas. As confirmações devem ocorrer
nas próximas semanas. Portal de Notícias (PN) - Por que as empresas do ramo de fabricação de módulos para plataforma de petróleo escolheram o município de Charqueadas para a instalação de unidades? Eduardo
Coelho (EC) - Com a descoberta do Pré-Sal, além
do aumento das estimativas de reservas nos campos de petróleo
atualmente em produção, a Petrobrás se obrigou,
na condição de empresa brasileira ligada ao segmento de
exploração e produção petrolífera,
a investir na construção de plataformas de petróleo.
Ainda, é claro, de embarcações off-shore para o
atendimento operacional dessas plataformas que entrarão em operação
nos próximos anos. Como a legislação brasileira
que regula o segmento de exploração e produção
de petróleo exigiu das empresas à contratação
de equipamentos com um mínimo de conteúdo nacional, houve
um estímulo aos fabricantes de equipamentos, módulos e
plataformas de petróleo, a procurarem em território brasileiro
áreas capazes de receberem, com o menor custo de instalação,
plantas industriais com capacidade de atender esta demanda por plataformas
e embarcações voltadas para o segmento de exploração
e produção de petróleo. O Estado do RS não
poderia ficar fora dessa nova oportunidade de desenvolvimento. Sendo
assim vem investindo, mesmo que modestamente e limitado as suas condições
financeiras, em incentivar empresas do Brasil e do Exterior a abrirem
seus negócios em solo gaúcho, iniciando por Rio Grande.
Como nesta cidade, a capacidade de instalação está
praticamente tomada, além da escassez de oferta de mão-de-obra
especializada/qualificada, esses fabricantes procuraram identificar
novos locais no RS. As pesquisas demonstraram existir dois municípios
potencialmente favoráveis à indústria naval e do
petróleo, que seria o município de Pelotas e de Charqueadas,
pelas características geográficas naturais, ou seja, área
de terras disponíveis em quantidade e servidas por água,
através de rios e canais de razoável calado, que permitem
a navegação interior de embarcações fluvio-marítimas
até o Porto de Rio Grande, quiçá a outros portos
brasileiros e estrangeiros. Entre Pelotas e Charqueadas, ainda, o segundo
município possui maiores vantagens, pois os terrenos disponíveis
estão localizados acima das cotas máximas de inundação,
além de franco acesso rodoviário às principais
estradas estaduais e federais, bem como estar próximo a Região
Metropolitana de Porto Alegre, onde é maior a oferta de mão-de-obra
especializada e de escolas formadoras de material humano para o segmento
metal-mecânico. As áreas em Pelotas enfrentam alagamentos
em épocas de muita chuva, cheia dos rios e elevação
dos níveis do Oceano Atlântico e, são formadas por
terrenos de baixa resistência geológica. Também,
as vias de acesso ao porto são precárias e estreitas,
dificultando o tráfego de veículos pesados. (EC)
- Área quadrada mínima; terrenos resistentes
ao tráfego pesado; acesso ao mar, mesmo que por via fluvial;
hidrovia com calado mínimo para tráfego de embarcações
flúvio-marítimas e rebocadores oceânicos de grande
porte; disponibilidade a mão-de-obra especializada e região
com escolas estruturadas para formação de material humano
para o segmento metal-mecânico (soldadores / mecânicos ajustadores). (EC) - Em todos! (PN) - Charqueadas estava preparada para receber esse tipo de empreendimento? Como está a infraestrutura? Por quê? (EC)
- Nos
aspectos geográficos Charqueadas estava preparada para receber
o empreendimento. No aspecto de disponibilidade de mão-de-obra
especializada, o município tem capacidade limitada em função
da demanda que ocorrerá por ocasião do início das
operações, porém isso é uma oportunidade
de geração de emprego e renda para as comunidades dos
municípios vizinhos, bem como para a região metropolitana
de Porto Alegre, que será demandada no caso de falta de oferta
de profissionais qualificados. (PN) - Em quais aspectos o município precisa melhorar para manter as atuais e atrair novas empresas? (EC)
- Investimentos nas escolas técnicas para adequação
dos currículos e, complemento do quadro docente para atender
especificamente a formação de mão-de-obra para
o segmento metal- mecânico da indústria do petróleo
e gás. (PN) - Por que a escolha da área na Granja Carola? O quanto atrapalha o fato de o terreno ter servido para a plantação de arroz? (EC)
- Por
um estudo feito no ano de 1980, por uma empresa especializada em terminais
portuários, contratada pela Portobrás, foi identificada
a Granja Carola como a melhor área para a instalação
de um terminal fluvial capaz de receber embarcações do
tipo balsas ou chatas fluvio-marítimas de grande porte, que são
necessárias para o transporte de módulos de plataformas
de petróleo. (PN)
-
A área onde está instalada a Jacuí I serviria para
receber empresas do ramo? (EC)
-
Será o meio navegável entre a unidade industrial onde
os módulos de plataformas serão construídos até
o Porto de Rio Grande, onde serão integrados aos oito cascos
das plataformas do tipo FPSO, que lá serão construídos,
caso venha a IESA ganhar a concorrência aberta recentemente pelas
subsidiárias da Petrobrás, denominadas Guará BV
e Tupi BV. (PN) - Os incentivos fiscais oferecidos pela prefeitura atualmente são fatores de atração para as empresas? Ou precisam melhorar? E do Estado? (EC) - Todo e qualquer benefício, seja ele municipal ou estadual, são sempre representativos na formatação dos preços nas propostas comerciais numa concorrência na Petrobrás. O que precisa melhorar é a agilidade com que o Estado do RS analisa e viabiliza tais pedidos de benefícios, sejam eles financeiros, fiscais ou tributários. (PN) - Outros municípios da região têm estrutura para receber investimentos desse ramo? (EC) - Enquanto não houver investimento público no aumento do calado e sinalização nas hidrovias gaúchas, municípios como Triunfo, São Jerônimo, Cachoeira do Sul e todos a montante do Rio Jacuí, ficarão a margem das oportunidades, assim como Pelotas pela falta de investimentos em acessos rodoviários entre a rodovia federal BR-392 e o Porto de Pelotas, bem como no aterramento de áreas do porto, a fim de elevar as cotas para um nível acima das médias de inundação. (PN) - A atuação do Sindical foi levada em contar na hora de escolher Charqueadas? (EC)
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Não foi avaliada esta atuação!
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