
| GEOGRAFIA
PRISIONAL
De onde são os presos do complexo penitenciário de Charqueadas Levantamento inédito mostra o local de residência de mais de 4.000 detentos e os problemas causados pelos presos do regime semi-aberto que estão longe de casa Rodrigo Ramazzini} De onde são
os presos que estão no complexo prisional de Charqueadas? Na
busca desta resposta, o Portal de Notícias obteve acesso exclusivo
a um levantamento inédito, realizado pelas direções
dos presídios, com as cidades de residência dos detentos
das casas de regime fechado e semiaberto do município, e constatou
que em um universo de mais de quatro mil presos existe uma espécie
de “mini” Estado do Rio Grande do Sul atrás dos muros
acinzentados das penitenciárias. Presos da região representam 2% A soma de presidiários dos oito municípios da Região Carbonífera que cumprem algum tipo de detenção no complexo prisional de Charqueadas chega ao número de 83 presos, o que corresponde a apenas 2% do total. “Importados” do complexo Os estados do Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, Goiás, São Paulo, Maranhão e Minas Gerais também possuem representantes no complexo. Ao todo, a quantidade de “importados” chega a 37 presos. PASC e os estrangeiros Os dados da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC) não entraram no levantamento porque a casa prisional foi construída com a concepção de abrigar presos de alta periculosidade do Estado e, em alguns casos, do restante do país ou detidos em território brasileiro. Ainda, alguns presos se negaram a fornecer os locais de residência, o que geraria uma inconsistência nos dados. Mas, para se ter uma ideia da diversidade de presos que cumprem pena na PASC, há uma ala de apenados com naturalidade em outros países atrás dos muros da penitenciária. O esquadrão estrangeiro é formado por representantes da Croácia, Sérvia, Bulgária, África e Colômbia. Vai-e-vem de visitas Uma das consequências de manter os presos longe dos locais de residências é o constante vai-e-vem das visitas. Para se ter uma ideia do número de pessoas que circulam mensalmente na área do complexo prisional de Charqueadas, de acordo com Giovani Weis, da empresa Expresso Vitória, no último mês de setembro, levando em consideração apenas os horários e linhas específicas para a Colônia Penal, foram transportados 10.066 passageiros. Somados a esses visitantes, estão os que vêm para o município nas linhas diretas de ônibus ou de carro ou ônibus e vans locadas. Problemático regime semiaberto Se essa diversificação
geográfica dos locais de residência dos presos não
costuma trazer maiores transtornos para o município quando estão
cumprindo pena no regime fechado, no entanto, é quando há
a progressão para o regime semiaberto que a situação
torna-se problemática. Diariamente, uma série de ocorrências
criminais, como furtos e tráfico de drogas são registradas
com a participação de presos do regime.
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