20 DE SETEMBRO
Dia de cultuar as tradições

Hoje é um dia diferente.
O amanhecer de cada 20 de setembro traz consigo uma aura que mistura
orgulho e história. De bombacha, botas, lenço e chapéu
ou de vestido de prenda, nós, gaúchos e gaúchas,
saímos para as ruas com o intuito de cultuar e renovar um legado
de tradições que são passadas de geração
em geração. E, aqui, na Região Carbonífera
não será diferente. Os desfiles temáticos prometem
encerrar as comemorações da Semana Farroupilha em grande
estilo. Confira a programação:
São Jerônimo
20/09- Terça-feira
No município, um galpão construído dentro da Escola
Castro Alves, no Centro, está abrigando a Chama Crioula.
Desfile Temático –
Nossas Raízes
8h45- Saída da Comitiva levando a Chama Crioula para a Praça
Municipal
9h30 - Acendimento da Chama na Praça Municipal
Hasteamento dos Pavilhões
Desfile
DTG Polivalente
Quero-Quero CTG
Piquete Sangre de Farrapo
Piquete Herdeiros da Tradição e demais entidades visitantes
e convidadas.
17h- Extinção da Chama Crioula e arriamento dos pavilhões.
Charqueadas
O CTG Ramiro Barcelos é a entidade que está sediando a
Centelha da Chama Crioula. Os homenageados do município são
Antônio Souza e Antônia Lúcia Carvalho Silviera e,
em memória de Vanderli Sampaio (Massaroca) e Nery de Mello.
20/09 – Terça-feira
10h – Desfile
12h – Almoço
14h – Tertúlia livre e pratas da casa
18h – Extinção da Chama Crioula
Butiá
A Semana Farroupilha de Butiá está sendo realizada no
Parque de Exposições Assis Almeida, onde acontece o VI
Acampamento Farroupilha. Os homenageados da Semana Farroupilha 2011
são os tradicionalistas Jaime Marques da Silva e Ione Maria Quintana
de Oliveira e a homenageada do VI Acampamento Farroupilha é a
professora Ana Lúcia Oliveira.
20/09 – Desfile na
Avenida Piratini:
E.M.E.I Mundo dos Sonhos
– IECPAC – SMIB – SOREI
CTG Vaqueanos da Querência
CTG Saudade do Pago
Cavalaria
CTG Vaqueanos da Querência
CTG Saudades do Pago-P. L. Os Maragatos
Grupo Amigos do Galpão
Grupo de Cavalgadas Pé no Estribo-CIB
AMTREL
PTG Jerônimo V. Lopes
PTG Mate Amargo
Grupo de Cavalgadas Alfeu Oliveira e visitantes
Transporte da Chama Crioula para o Parque de Exposições
Assis Almeida, pelos Tradicionalistas
14h - Torneio “Vaca Mecânica”
14h - Início das atrações artísticas: Grupo
de Folclore da E.M.E.E. Orestes G. da Silva; Grupo Xiru do CTG Zeca
Freitas; Invernada do CTG Saudades do Pago; Universo em Dança
e Odilon Almeida e Vagner Peltz.
Arriamento das Bandeiras
18h – Extinção da Chama Crioula
18h30min – Show com a Banda Karaguatá
21h30min – Encerramento do VI Acampamento Farroupilha de Butiá
com a Banda Chimatchê no Galpão Orelhano.
Arroio dos Ratos
As comemorações
da Semana Farroupilha de Arroio dos Ratos estão sendo realizadas
no CTG Tropilha Crioula. A ordem do desfile de hoje.
20/09 – Terça-feira
10h – Desfile
Ordem:
CTG Tropilha Crioula
Piquete Leal da Serra
CTG David Canabarro
Piquete Potro Sem Dono
Piquete Estância da Harmonia
CTG Os Andarilhos
Piquete Estância de São Pedro
Piquete Garrão Missioneiro
DTG Criado em Galpão
Piquete Os Serranos
Piquete Amigos de Cavalgadas
DTG Anita Garibaldi
Companheiros de Cavalgadas
Piquete São Rafael
12h – Almoço Festivo
13h - Torneio de Laço Semana Farroupilha, no Sindicato Rural
18h – Extinção da Chama Crioula.
Os temas dos desfiles
proposto pelo MTG
O temário proposto
para os Festejos Farroupilhas 2011 foi aprovado pela Comissão
Estadual, no mês de dezembro de 2010 e homologado pelo Congresso
Tradicionalista Gaúcho, do MTG, em janeiro de 2011.
As propostas feitas pelo
Movimento de Tradições Gaúchas (MTG) para os desfiles
desse ano são bastante abrangentes e tem como objetivo explorar
a história do Rio Grande do Sul e buscar, em alguns episódios
e períodos, indicadores da identidade do povo gaúcho.
Rebuscar a história e retirar dela os aspectos que melhor retratem
a formação sócio-cultural do nosso Estado é
tarefa que não se esgotas nesse ano de 2011, mas haverá
de nos ajudar a entender um pouco mais a nossa identidade cultural regional.
Cada município do Estado ou cada microrregião poderá
aprofundar um ou mais tópicos entre os que estão sendo
propostos neste temário. Esse aprofundamento se dará em
função da característica local, especialmente pela
predominância ou influencia maior de uma ou de outra etnia. Para
bem desenvolver a idéia de explorar as raízes da formação
sócio-cultural do gaúcho sul-rio-grandense foram selecionados
os seguintes momentos da nossa história:
1. OS JESUÍTAS
NO TERRITÓRIO GAÚCHO
As reduções jesuíticas constituídas entre
1626 e 1641. A introdução do gado pelos Pe. Cristovão
de Mendonça e Pedro Romero, o que resultou nas vacarias do Mar
e dos Pinhais, além do uso do cavalo na lida campesina. Mais
tarde, com o retorno dos jesuítas ao território temos
a formação dos Sete Povos das Missões. Deste segundo
momento podemos explorar a questão da religiosidade, da expansão
da erva-mate, as esculturas e a música (1682 a 1756). Importante
estudar a Guerra Guaranítica (1754-1756) e suas consequencias.
2. A TERRA DE NINGUEM
O período compreendido entre a chegada dos jesuítas e
a chegada dos portugueses caracterizou-se pela ausência de governo,
de regramento e de organização mínima daquela “sociedade”
que começava a aparecer, com predomínio da exploração
do gado e o comércio do couro. Surge aí o tipo humano
denominado “gaudério”, depois batizado de gaúcho.
Foi nesse período que os portugueses instalaram a Colônia
do Sacramento (1680), às margens do Rio da Prata e intensificou-se
a movimentação de tropas entre Laguma e o Sacramento,
especialmente pelo litoral. Surge, no cenário, Cristóvão
Pereira de Abreu que é considerado o primeiro tropeiro. Esse
tropeiro abre o primeiro caminho para levar tropas de gado e mulas do
Rio Grande do Sul para a Província de São Vicente, hoje
São Paulo. Era o início do tropeirismo.
3. FUNDAÇÃO DA PROVÍNCIA
A província de São Pedro do Rio Grande do Sul começa
a tomar forma com a chegada de Silva Paes e a fundação
de Rio Grande (Forte Jesus-Maria-José) – 1737. Aprofunda-se
a iniciativa portuguesa de ocupação do território
(também reivindicado pelos espanhóis) com a distribuição
de sesmarias e a organização das estâncias. É
a partir daí que são plantadas as bases sociais e econômicas
do Rio Grande do Sul. Depois de Rio Grande, foi fundado Rio Pardo e,
ali, surge a figura de Rafael Pinto Bandeira e sua atividade militar
na defesa do território contra as invasões castelhanas:
Rio Pardo, a tranqueira Invicta.
4. OS AÇORIANOS E A FUNDAÇÃO DE PORTO ALEGRE
O tratado de Madri (entre Portugal e Espanha) previa a troca da colônia
do Sacramento pelos sete Povos das Missões, o que resultou na
Guerra Guaranítica. Os portugueses planejaram ocupar as Missões
com casais de açorianos e implantar na região uma espécie
de colônia agrícola. Os açorianos chegaram a partir
de 1754 e não puderam ser enviados para as Missões em
função da Guerra, permanecendo na região litorânea
e nas proximidades do Porto do Dornelles, fundando o Porto dos Casais,
hoje Porto Alegre, a Capital do Estado. Eles ocuparam, também,
as margens dos rios Jacuí e Taquari, fundando cidades como Triunfo
e São Jerônimo. A agricultura ganhou impulso com os açorianos
que se dedicaram ao cultivo de culturas como o trigo, milho e feijão.
Os açorianos influem muito na implantação da cultura
da família (a clã), até aquele momento praticamente
desconhecida pelos habitantes que lidavam com o gado numa vida sem paradeiro.
Dos açorianos temos muito das nossas músicas, danças,
culinária, fé religiosa e modo de vida.
5. ÉPOCA DAS CHARQUEADAS (1780 – 1840)
A lida com o gado ganha um ingrediente importante a partir das charqueadas.
Essa foi a primeira e mais importante indústria do Estado. Por
largo período o Estado teve nas charqueadas seu motor econômico
mais significativo.É no período das charqueadas que o
uso dos rios e lagos como meio de transporte ganha impulso, especialmente
entre Porto Alegre e Pelotas. A economia passa a depender da força
de trabalho dos negros escravos trazidos para as charqueadas. Foi um
período de grande crescimento econômico, especialmente
de Pelotas e Rio Grande, mas também foi o período triste
se analisado do ponto de vista humanitário ou do direito natural
dos homens. Os negros foram tratados como simples animais nas charqueadas.
6. A ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DA PROVÍNCIA
A província de São Pedro do Rio Grande do Sul somente
ganha uma administração própria no ano de 1809.
Sob o ponto de vista da administração pública,
esse é o momento em que o Estado adquire autonomia. A partir
da organização administrativa da Província, a Capital,
Porto Alegre, se desenvolve e começa a ganhar contornos de modernidade
com o surgimento de prédios e de uma arquitetura própria.
Outro episódio importante daquele primeiro quarto do século
XIX, é o desaparecimento da província Cisplatina e o surgimento
do Uruguai (1828). Destaca-se para isso a Guerra da Cisplatina. O episodio
mais significativo dessa guerra foi a Batalha do Passo do Rosário,
não somente por ter protagonizado a maior concentração
de tropas já vista na America do Sul, mas pelas suas conseqüências
políticas.
7. COLONIZAÇÃO – PRIMEIRA FASE
Imprescindível para a compreensão da identidade regional
é reconhecer a importância da colonização
do território por europeus. Primeiro chegam os alemães.
Estabelecidos inicialmente na Real Feitoria do Linho Cânhamo (1825),
hoje São Leopoldo, expandiram-se para o norte e oeste, ocupando
grande parte dos vales. Foram os alemães que implantaram as primeiras
indústrias (artesanato) no território gaúcho. Podemos
destacar, além da culinária, também a música,
a dança e o espírito do cooperativismo trazido pelos alemães.
A nova “ética do trabalho” também se deve
aos imigrantes.
7. REVOLUÇÃO FARROUPILHA
Episódio considerado como marco fundador da identidade regional,
a Revolução Farroupilha teve início em 1835 com
a tomada de Porto Alegre. Vale estudar as causas dessa revolução
e o papel que a maçonaria desempenhou no fomento do conflito.
A figura de Antonio de Souza Netto que patrocinou a proclamação
da República Rio-Grandense (1836) merece ser bem estudada. Bandeira
e Hino o hino da República Rio-Grandense foram uma conseqüência
da proclamação de Netto. O episódio da tomada de
Laguna e a criação da República Catarinense (1839)
merecem destaque pelo significado político: os farroupilhas pretendiam
implantar no Brasil uma República Federativa, integrada pelas
províncias autônomas. O fim da revolta no ano de 1845,
sem que os objetivos fossem alcançados, mas com conquistas importantes
consubstanciadas naquilo que passou para a história como Paz
de Ponche Verde, assinada nos campos de Dom Pedrito.
8. NA DEFESA NACIONAL
A tônica da história do Estado foi a defesa do território
contra os interesses castelhanos. A Guerra contra Rosas (1854) é
um marco importante nesse mister. Os mesmos farroupilhas que haviam
lutado contra o Império Brasileiro foram os que defenderam o
Brasil contra as pretensões expansionistas do ditador argentino.
A Guerra do Paraguai (1865) foi outro episódio importante. Os
gaúchos formaram vários “Corpos de Voluntários
da Pátria” para a formação do exército
da Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai), combatendo
o Paraguai e seu ditador Solano Lopes. -Depois da Guerra do Paraguai
tem início da modernização do Brasil e do Estado,
com a implantação das estradas de ferro. Houve a partir
de então uma significativa melhora nos transportes e na integração
do território.
9. REVOLUÇÃO FEDERALISTA
No ano de 1889 instala-se a República Brasileira. O fim do Império
dá início a um novo momento político. No Estado
há uma intensa disputa pelo poder. As figuras de Julio de Castilhos
e de Gaspar Silveira Martins surgem como estrelas da disputa política
o que resultou na Revolução Federalista. A “guerra
da degola”. Pica-paus e maragatos mancharam o território
com o sangue dos gaúchos. Duas ideologias, duas facções,
dois interesses convulsionaram o Estado por dois anos (1894-96). No
final, a implantação da administração positivista.
No ano de 1892, o Corpo Policial é extinto e no seu lugar surge
a Brigada Militar como um exército estadual.
10. A COLONIZAÇÃO – SEGUNDA FASE –
COMPLETA-SE O GHAÚCHO
A chegada dos Italianos no ano de 1875 marca a ocupação
do último grande espaço territorial: a serra. Com sua
força de trabalho, os italianos plantam cidades e imprimem um
novo ritmo para a economia do Estado. Culturalmente contribuem com as
suas danças, música, culinária, festas de comunidade
e crença religiosa. Nesse período temos também
a chegada de imigrantes Poloneses, Holandeses, ucranianos e outros grupos
que, se não ocuparam grandes áreas, foram e são
até hoje importantes para muitas comunidades do Estado. Neste
ano de 2011 comemora-se o centenário da imigração
Holandesa no Brasil. É o ano da Holanda no Brasil.
11. GAUCHISMO: CULTO E PRÁTICA
A identidade gauchesca começa a ser estudada, compreendida e
difundida, mesmo que de forma romântica, com o surgimento do Partenon
Literário em Porto Alegre (1858). Foi naquela “confraria”
que surgiram os primeiros escritores e poetas valorizando o gaúcho
e sua cultura. Mais tarde surge a figura de João Cezimbra Jacques
que capitaneou a fundação do Grêmio Gaúcho
(1898). Foi essa a primeira iniciativa de organização
social, como um clube, para resgatar e preservar aspectos importantes
da cultura gauchesca. Em seguida foi a vez de João Simões
Lopes Neto fundar a União Gaúcha de Pelotas (1899), seguindo-se
uma série de clubes gauchescos pelo Estado. Foi no ano de 1947
que toda a experiência acumulada desde o Partenon Literário,
que resultou na primeira Ronda Gaúcha no Colégio Julio
de Castilhos, o episódio de 5 de setembro com “O Grupo
dos 8” e, depois, já no ano de 1948 o surgimento do 35
CTG que deu o modelo seguido por inúmeros outros Centros de Tradições
no Estado e fora dele. Hoje são mais de 3.000 CTGs, espalhados
pelo mundo, reunindo pessoas (gaúchos sul-rio-grandenses e outros
gaúchos) cultuando, valorizando e difundindo a cultura gauchesca
e consolidando a identidade do gaúcho, fruto da sua trajetória
histórica. O gaúcho é um tipo cultural, formado
por inúmeras etnias e aspectos culturais herdados dos índios,
espanhóis, portugueses, negros, açorianos, alemães,
italianos, poloneses, holandeses e mestiços de toda ordem.
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