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Região Carbonifera, sexta-feira, 23 dezembro, 2011
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ESTAÇÃO QUE ENTRA
Como será o tempo no verão?


Análogos históricos analisados pela MetSul mostram tendência de aumento da chuva durante parte do verão em algumas regiões do Estado em anos em que estiagens começaram cedo como a de 2011/2012

Metsul Meteorologia

O verão que começou oficialmente às 3h30m de ontem, na prática, já teve início do ponto de vista climático com a alta temperatura e o padrão de regime de chuva deste mês de dezembro. A nova estação será influenciada pelo fenômeno La Niña, que se caracteriza pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico. O fenômeno tem intensidade menor que no último verão, porém a diminuição da chuva é maior em relação a 2010 devido ao posicionamento das águas frias na região equatorial do Pacífico.
O La Niña, em regra, tende a trazer chuva mais irregular e acentuar o risco de estiagem no Estado, segundo os meteorologista da MetSul. Anos sob influência do fenômeno, por dados históricos, apresentam menor produtividade de milho e soja no Estado. A tendência é que as precipitações sigam irregulares no Rio Grande do Sul na nova estação, segundo a análise da MetSul Meteorologia, com agravamento da estiagem em algumas regiões gaúchas, onde o cenário deve ser de baixa ainda maior dos níveis dos rios, alto risco de incêndios em vegetação, e escassez de água para consumo humano e animal.
O potencial maior agravamento da estiagem no começo da estação se dará em pontos mais a Oeste e Sudoeste do território gaúcho enquanto mais ao Norte e o Nordeste do Estado os volumes de chuva no verão devem ser maiores, mas mesmo assim irregulares. As áreas sob déficit hídrico podem voltar a se ampliar no território gaúcho na segunda metade do verão. Episódios pontuais podem provocar elevados acumulados de chuva localizados, muitas vezes associados a fortes temporais, não raro sendo observados extremos de precipitação durante o verão no Leste do Estado, seja em conseqüência de ciclones ou áreas de baixa pressão. Foi o caso das inundações no Sul gaúcho em janeiro de 2009, verão que também foi de La Niña.
O regime de chuva no verão é diferente do inverno. As frentes frias passam pelo Estado com menor freqüência e mais pela costa. Ocorrem as pancadas tradicionais de chuva, da tarde para a noite, em regra localizadas, provocadas pelo calor e a umidade. Nos dias de maior calor, não raro a chuva vem acompanhada de temporais isolados de vento forte e granizo com potencial de transtornos e danos. Em casos excepcionais, até tornados são registrados. Segue o risco acima da média de granizo no Rio Grande do Sul.
A análise estatística histórica da MetSul Meteorologia revela que verões que foram precedidos por meses de novembro e dezembro de pouca chuva no Rio Grande do Sul, como o atual, tiveram aumento da precipitação em pelo menos um mês do verão em parte do Estado, em alguns casos em janeiro e em outros em fevereiro, em algumas áreas até nos dois meses. São os casos dos verões de 1956/1957, 1985/1985, 1995/1996, 2005/2006 e 2008/2009, todos considerados análogos pela MetSul para o período 2011/2012. Em 2012, a chuva já pode ter um aumento em algumas áreas do Estado na comparação com novembro e dezembro já em janeiro, atenuando de forma regionalizada o déficit hídrico.
A tendência maior é de temperatura próxima da média com períodos de marcas abaixo das normais históricas, especialmente em áreas mais a Leste do Estado. Isso não significa, contudo, ausência de calor. Períodos secos no verão tendem a ser acompanhados de ondas de calor, muitas vezes de forte intensidade. Os recordes históricos de calor do Rio Grande do Sul de 1917 e 1943 se deram durante severas estiagens. Pelo menos duas ondas de calor podem ser de forte intensidade em janeiro. Na Metade Oeste do Estado, o verão deve ser mais quente com muitos dias de calor excessivo em que as máximas ficarão entre 35ºC e 40ºC.
Com o fenômeno La Niña, aumenta no verão a freqüência de dias com marcas mais amenas, havendo casos até de madrugadas frias no Sul gaúcho e na Serra. O risco é maior para o arroz plantado no Sul gaúcho, já que madrugadas de temperatura baixa prejudicam a cultura nesta época do ano.
Haverá dias de águas límpidas e quentes no Litoral Norte durante o verão, mas em número menor que em 2010 e 2011, uma vez que nos últimos dois veraneios o Atlântico Sul apresentou o maior aquecimento de suas águas desde 1973/1974 com forte influência da Corrente do Brasil que traz águas mais quentes de Norte, reduzindo a influência da Corrente das Malvinas (fria). O Nordestão que soprou muito menos que o normal nas temporadas de 2010 e 2011, com dias muito abafados pelo mar muito aquecido na costa, deverá incomodar um pouco mais em 2012.
Pesquisa da MetSul indica que em anos de La Niña, especialmente durante períodos secos, há um aumento do risco de ciclones subtropicais e tropicais na costa gaúcha, já que a divergência de vento na atmosfera diminui. Ciclones subtropicais podem atuar durante vários dias junto ao Leste do Rio Grande do Sul com extremos de precipitação localizados.