ESTAÇÃO QUE
ENTRA
Como será o tempo no verão?
Análogos históricos analisados pela MetSul mostram tendência
de aumento da chuva durante parte do verão em algumas regiões
do Estado em anos em que estiagens começaram cedo como a de 2011/2012

Metsul Meteorologia
O verão que começou
oficialmente às 3h30m de ontem, na prática, já
teve início do ponto de vista climático com a alta temperatura
e o padrão de regime de chuva deste mês de dezembro. A
nova estação será influenciada pelo fenômeno
La Niña, que se caracteriza pelo resfriamento das águas
do Oceano Pacífico. O fenômeno tem intensidade menor que
no último verão, porém a diminuição
da chuva é maior em relação a 2010 devido ao posicionamento
das águas frias na região equatorial do Pacífico.
O La Niña, em regra, tende a trazer chuva mais irregular e acentuar
o risco de estiagem no Estado, segundo os meteorologista da MetSul.
Anos sob influência do fenômeno, por dados históricos,
apresentam menor produtividade de milho e soja no Estado. A tendência
é que as precipitações sigam irregulares no Rio
Grande do Sul na nova estação, segundo a análise
da MetSul Meteorologia, com agravamento da estiagem em algumas regiões
gaúchas, onde o cenário deve ser de baixa ainda maior
dos níveis dos rios, alto risco de incêndios em vegetação,
e escassez de água para consumo humano e animal.
O potencial maior agravamento da estiagem no começo da estação
se dará em pontos mais a Oeste e Sudoeste do território
gaúcho enquanto mais ao Norte e o Nordeste do Estado os volumes
de chuva no verão devem ser maiores, mas mesmo assim irregulares.
As áreas sob déficit hídrico podem voltar a se
ampliar no território gaúcho na segunda metade do verão.
Episódios pontuais podem provocar elevados acumulados de chuva
localizados, muitas vezes associados a fortes temporais, não
raro sendo observados extremos de precipitação durante
o verão no Leste do Estado, seja em conseqüência de
ciclones ou áreas de baixa pressão. Foi o caso das inundações
no Sul gaúcho em janeiro de 2009, verão que também
foi de La Niña.
O regime de chuva no verão é diferente do inverno. As
frentes frias passam pelo Estado com menor freqüência e mais
pela costa. Ocorrem as pancadas tradicionais de chuva, da tarde para
a noite, em regra localizadas, provocadas pelo calor e a umidade. Nos
dias de maior calor, não raro a chuva vem acompanhada de temporais
isolados de vento forte e granizo com potencial de transtornos e danos.
Em casos excepcionais, até tornados são registrados. Segue
o risco acima da média de granizo no Rio Grande do Sul.
A análise estatística histórica da MetSul Meteorologia
revela que verões que foram precedidos por meses de novembro
e dezembro de pouca chuva no Rio Grande do Sul, como o atual, tiveram
aumento da precipitação em pelo menos um mês do
verão em parte do Estado, em alguns casos em janeiro e em outros
em fevereiro, em algumas áreas até nos dois meses. São
os casos dos verões de 1956/1957, 1985/1985, 1995/1996, 2005/2006
e 2008/2009, todos considerados análogos pela MetSul para o período
2011/2012. Em 2012, a chuva já pode ter um aumento em algumas
áreas do Estado na comparação com novembro e dezembro
já em janeiro, atenuando de forma regionalizada o déficit
hídrico.
A tendência maior é de temperatura próxima da média
com períodos de marcas abaixo das normais históricas,
especialmente em áreas mais a Leste do Estado. Isso não
significa, contudo, ausência de calor. Períodos secos no
verão tendem a ser acompanhados de ondas de calor, muitas vezes
de forte intensidade. Os recordes históricos de calor do Rio
Grande do Sul de 1917 e 1943 se deram durante severas estiagens. Pelo
menos duas ondas de calor podem ser de forte intensidade em janeiro.
Na Metade Oeste do Estado, o verão deve ser mais quente com muitos
dias de calor excessivo em que as máximas ficarão entre
35ºC e 40ºC.
Com o fenômeno La Niña, aumenta no verão a freqüência
de dias com marcas mais amenas, havendo casos até de madrugadas
frias no Sul gaúcho e na Serra. O risco é maior para o
arroz plantado no Sul gaúcho, já que madrugadas de temperatura
baixa prejudicam a cultura nesta época do ano.
Haverá dias de águas límpidas e quentes no Litoral
Norte durante o verão, mas em número menor que em 2010
e 2011, uma vez que nos últimos dois veraneios o Atlântico
Sul apresentou o maior aquecimento de suas águas desde 1973/1974
com forte influência da Corrente do Brasil que traz águas
mais quentes de Norte, reduzindo a influência da Corrente das
Malvinas (fria). O Nordestão que soprou muito menos que o normal
nas temporadas de 2010 e 2011, com dias muito abafados pelo mar muito
aquecido na costa, deverá incomodar um pouco mais em 2012.
Pesquisa da MetSul indica que em anos de La Niña, especialmente
durante períodos secos, há um aumento do risco de ciclones
subtropicais e tropicais na costa gaúcha, já que a divergência
de vento na atmosfera diminui. Ciclones subtropicais podem atuar durante
vários dias junto ao Leste do Rio Grande do Sul com extremos
de precipitação localizados.
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