PERSPECTIVAS COM A RETOMADA
Como a região pode ganhar com o projeto
de expansão da Celulose Riograndense Rodrigo
Ramazzini e Viviane Bueno
Há três anos,
quando foi feito o anúncio da expansão da unidade de Guaíba
da então Aracruz Celulose, hoje Celulose Riogradense, na ordem
de 2,5 bilhões de dólares e com a possibilidade de gerar
2,5 mil empregos, um frisson se instalou na Região Carbonífera
com os possíveis efeitos do empreendimento, devido à proximidade
com Guaíba.
Meses depois, ainda no ano de 2008, o projeto acabou suspenso e o assunto
arrefeceu. No entanto, no início dessa semana, a retomada do
aumento da capacidade de produção de celulose na unidade
fabril voltou a ser ventilado, depois que a empresa realizou uma apresentação
sobre a futura linha de produção, que deverá produzir
1,3 milhões de toneladas, para potenciais fornecedores e compradores.
Apesar de não haver uma confirmação oficial da
empresa, pois ainda há a necessidade de passar pela avaliação
dos acionistas, a perspectiva é que o investimento comece definitivamente
a sair do papel no início do próximo ano, já que
uma área ao lado da atual unidade está sendo preparada
com obras viárias.
De acordo como presidente da Celulose Riograndense, Walter Lídio
Nunes, em declaração ao jornal Zero Hora (ZH), a revisão
do projeto original, apresentado pela Aracruz em 2008, já passou
das etapas iniciais, quando se concluiu que valia a pena ir em frente.
Um dos sinais da retomada é o grau de planejamento da obra: no
detalhamento, está previsto o início da produção
para agosto de 2014, o que significa que a nova unidade teria de ser
construída em 24 meses.
Para alcançar esse objetivo o presidente já está
planejando a contratação de mão de obra, pois o
número de operários no canteiro de obras chegará
a 7,5 mil no pico da movimentação:
– Queremos evitar os inconvenientes que grandes projetos têm
com a importação de trabalhadores. Com mão de obra
local, não precisaremos de alojamentos. Prefiro colocar ônibus
percorrendo 70 quilômetros, trazendo gente de áreas como
a Região Carbonífera – disse Nunes, ao jornal ZH.
Com as perspectivas novamente reacendidas com a possível retomado
do investimento e seus efeitos na Região Carbonífera,
com o auxílio do coordenador e professor do Curso de Administração
do Campus da Ulbra São Jerônimo, Álvaro Werlang,
a reportagem do Portal de Notícias projetou os impactos que o
empreendimento poderá causar nos municípios.
De acordo com o coordenador, a região poderá ganhar com
a expansão da Celulose Riograndense, principalmente, em quatro
aspectos:
- Fornecimento de mão de obra, instalação de empresas
sistemistas, fornecimentos de serviços e produtos. Ainda, com
a silvicultura, com áreas destinadas ao reflorestamento! –
projeta.
Detalhes dos efeitos
Em relação
à mão de obra, Werlang faz a ressalva visando à
futura capacitação de profissionais:
- É preciso qualificar as pessoas para as funções
e o perfil exigido pela empresa. Quem fizer isso primeiro sairá
na frente em relação aos demais municípios. É
concorrência – alerta.
O coordenador observa, também, que a região, caso esteja
preparada, poderá receber empresas sistemistas de nível
3 (de uma escala que varia de 1 a 3), que são fornecedores diretos
com possibilidade de ficarem a cerca de 70 km da unidade.
Atualmente, algumas empresas da região já prestam serviços
ou fornecem produtos para a Celulose Riograndense, o que só deverá
aumentar com o projeto de expansão, com possível aumento
nos seus respectivos quadros de funcionários.
Com o possível aumento da silvicultura (plantação
de eucalipto) na região para o fornecimento da matéria-prima
para a produção da celulose, Álvaro Werlang, adverte:
- É preciso plantar observando aspectos ambientalmente corretos
– recomenda.
A empresa e o futuro
da produção
A Celulose Riograndense
pertence ao grupo chileno CMPC, que no Brasil controla, também,
a Melhoramentos Papéis, do segmento de toalhas e guardanapos.
O destino da futura produção de celulose com a expansão
será destinada para a exportação.
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