
| TURBULÊNCIA GLOBAL “As empresas exportadoras deverão sofrer com a desvalorização do dólar” A crise mundial
do mercado financeiro deflagrada no ano de 2008, ganha nova força
e como uma onda, vai causando estragos nos Estados Unidos, Europa e
em alguns países da Ásia. Com esse cenário econômico
e financeiro de instabilidade internacional, em um mundo globalizado
e com sistemas de negócios interligados, o Brasil já começa
a sentir os primeiros impactos da turbulência e a se preparar
para minimizar seus efeitos. Portal de Notícias (PN) - Qual foi o ponto de partida que originou essa nova crise que atinge os Estados Unidos, a Europa e alguns países da Ásia? Otávio Rocha de Ávila (OR) - A crise financeira que está assolando a Europa e Estados Unidos ainda é reflexo da crise financeira mundial de 2008, onde houve o rompimento da bolha de crédito Imobiliário nos Estado Unidos da América, com a consequente quebra técnica de importantes bancos e seguradoras americanas. Também é importante salientar que há falta de regulamentação dos mercados financeiros mundiais. Países importantes da Europa estão com grandes dificuldades em gerenciar suas contas, como por exemplo a Grécia, e agora Espanha, Itália e Portugal. Agravante a isso, os EUA que é a principal “locomotiva” econômica do mundo, o maior consumidor, também enfrenta dificuldades para administrar sua dívida. Nas últimas semanas, a agência de qualificação de crédito internacional Standard & Poor's rebaixou a nota de qualificação da dívida dos Estados Unidos do nível mais alto AAA, para AA+, o que voltou a agravar situação do mercado, causando incertezas e maior restrição de crédito ao mercado mundial. PN - Pelo cenário econômico apresentado até o momento, já é possível mensurar o tamanho dessa turbulência global? Será maior que a crise de 2008? OR
- Ainda não
há como mensurar o tamanho da turbulência financeira global. OR - As bolsas não são os únicos indicadores da economia mundial, mas sinalizam possíveis alterações dos fluxos. Através das bolsas, se percebe o direcionamento dos fluxos de recursos dos investidores globais. A saída de recursos da Bolsa de Valores pode significar que o investidor esta redirecionando seus investimentos para outra opção de menor risco. PN - Batendo à porta do Brasil, quais os efeitos projetados que essa tensão mundial provocará na economia do país? OR - O Brasil vem fazendo ao longo dos anos sua lição de casa, ou seja, apresenta significativa reserva cambial (próxima dos 350 bilhões de dólares), situação fiscal melhor que outros países e sendo constantemente acompanhada, consumo interno muito forte com o aumento da classe C, proporcionando que o mercado nacional se mantenha aquecido. De qualquer forma, como a economia esta globalizada, ou seja, todas as bolsas interligadas via fluxos de capitais, deverá ocorrer desaceleração de consumo nas principais economias do mundo, como aqui também. PN - E, especificamente, na economia da Região Carbonífera? Quais os setores que poderão ser afetados? OR - De um modo geral, as empresas exportadoras deverão sofrer com a desvalorização do dólar, nos últimos 100 dias saiu de R$ 1,67 para R$1,53, tornando nossos produtos menos competitivos lá fora, e proporcionando o aumento das importações. O que pode de alguma forma afetar a rentabilidade das empresas e sofrer pressão sobre preços. PN - Pelos prognósticos, já se tem uma ideia de quando tempo deve durar essa turbulência econômica? OR
- Não
há como prever quanto tempo deverá durar esta crise, pois
depende de quais serão as ações que os países
envolvidos estarão tomando no gerenciamento de suas economias.
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