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Região Carbonifera, sexta-feira, 12 agosto, 2011
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TURBULÊNCIA GLOBAL
“As empresas exportadoras deverão sofrer com a desvalorização do dólar”

A crise mundial do mercado financeiro deflagrada no ano de 2008, ganha nova força e como uma onda, vai causando estragos nos Estados Unidos, Europa e em alguns países da Ásia. Com esse cenário econômico e financeiro de instabilidade internacional, em um mundo globalizado e com sistemas de negócios interligados, o Brasil já começa a sentir os primeiros impactos da turbulência e a se preparar para minimizar seus efeitos.
Por aqui, na Região Carbonífera, a crise mostrou suas garras há três anos, quando uma série de demissões em massa ocorreu nas principais empresas e acordos coletivos precisaram ser revistos às pressas. Com o intuito de explicar um pouco sobre essa nova onda de crise e traçar um prognóstico para o futuro, o jornal Portal de Notícias entrevistou Otávio Rocha de Ávila, estudioso do sistema financeiro e professor de Administração da Escola Dimensão, de Charqueadas. Confira na íntegra:

Portal de Notícias (PN) - Qual foi o ponto de partida que originou essa nova crise que atinge os Estados Unidos, a Europa e alguns países da Ásia?

Otávio Rocha de Ávila (OR) - A crise financeira que está assolando a Europa e Estados Unidos ainda é reflexo da crise financeira mundial de 2008, onde houve o rompimento da bolha de crédito Imobiliário nos Estado Unidos da América, com a consequente quebra técnica de importantes bancos e seguradoras americanas. Também é importante salientar que há falta de regulamentação dos mercados financeiros mundiais. Países importantes da Europa estão com grandes dificuldades em gerenciar suas contas, como por exemplo a Grécia, e agora Espanha, Itália e Portugal. Agravante a isso, os EUA que é a principal “locomotiva” econômica do mundo, o maior consumidor, também enfrenta dificuldades para administrar sua dívida. Nas últimas semanas, a agência de qualificação de crédito internacional Standard & Poor's rebaixou a nota de qualificação da dívida dos Estados Unidos do nível mais alto AAA, para AA+, o que voltou a agravar situação do mercado, causando incertezas e maior restrição de crédito ao mercado mundial.

PN - Pelo cenário econômico apresentado até o momento, já é possível mensurar o tamanho dessa turbulência global? Será maior que a crise de 2008?

OR - Ainda não há como mensurar o tamanho da turbulência financeira global.

PN - Os índices das bolsas de valores servem de termômetro econômico, correto?
Por quê?

OR - As bolsas não são os únicos indicadores da economia mundial, mas sinalizam possíveis alterações dos fluxos. Através das bolsas, se percebe o direcionamento dos fluxos de recursos dos investidores globais. A saída de recursos da Bolsa de Valores pode significar que o investidor esta redirecionando seus investimentos para outra opção de menor risco.

PN - Batendo à porta do Brasil, quais os efeitos projetados que essa tensão mundial provocará na economia do país?

OR - O Brasil vem fazendo ao longo dos anos sua lição de casa, ou seja, apresenta significativa reserva cambial (próxima dos 350 bilhões de dólares), situação fiscal melhor que outros países e sendo constantemente acompanhada, consumo interno muito forte com o aumento da classe C, proporcionando que o mercado nacional se mantenha aquecido. De qualquer forma, como a economia esta globalizada, ou seja, todas as bolsas interligadas via fluxos de capitais, deverá ocorrer desaceleração de consumo nas principais economias do mundo, como aqui também.

PN - E, especificamente, na economia da Região Carbonífera? Quais os setores que poderão ser afetados?

OR - De um modo geral, as empresas exportadoras deverão sofrer com a desvalorização do dólar, nos últimos 100 dias saiu de R$ 1,67 para R$1,53, tornando nossos produtos menos competitivos lá fora, e proporcionando o aumento das importações. O que pode de alguma forma afetar a rentabilidade das empresas e sofrer pressão sobre preços.

PN - Pelos prognósticos, já se tem uma ideia de quando tempo deve durar essa turbulência econômica?

OR - Não há como prever quanto tempo deverá durar esta crise, pois depende de quais serão as ações que os países envolvidos estarão tomando no gerenciamento de suas economias.