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..Educação e Cultura
Região Carboífera,terça - feira, 10 janeiro, 2012
O pintor de retratos
Viviane Bueno

Assim como o escritor gaúcho Luiz Antonio de Assis Brasil descreveu nas páginas do seu romance intitulado “O pintor de retratos” a saga do artista ficcional Sandro Lanari, o jornal Portal de Notícias conta, a partir de agora, a história de um pintor de retratos da vida real.
A primeira vez que Cristiano Straccioni Quintana, 33 anos, natural de São Jerônimo e morador de Charqueadas se interessou por arte foi na escola, ainda no ensino fundamental.
- Comecei a gostar de histórias em quadrinhos na aula da professora Telma – recorda Straccioni.
Depois de despertado o desejo pela arte, ele não parou mais. Foi procurar conhecimento em diversos cursos. Só pensava em agregar, a cada dia, mais conhecimento sobre aquilo que tanto o fascinava.
- Eu sabia que não tinha habilidade. Uma coisa é gostar, outra coisa é saber fazer – pontua.
Hoje formado em Arte, como professor ele dissemina em sala de aula esse universo de cores, texturas e traços.
- Quando entrei na faculdade, os professores diziam que todos precisavam achar o seu estilo próprio. Eu acabei trabalhando mais com pintura e desenho – conta.
Para quem pensa que os artistas são desorganizados, Straccioni mostra organização em seu modo de trabalhar. Para ele, é preciso, antes de tudo, ter planejamento antes de colocar as ideias no papel.
- Eu registro cada passo do que produzo. Assim, fica mais fácil saber onde houve algum erro e para analisar a obra. Grandes artistas eram metódicos– comenta.
Para que o processo criativo flua com mais facilidade, Straccioni costuma fazer recortes, utilizando gravuras, cores e texturas tiradas de revistas de moda feminina.
- Com as colagens prontas é mais fácil buscar referências para iniciar os trabalhos na tela – conta.
O interessante em sua obra é a constante homenagem ao universo feminino. Com habilidade e com uma riqueza de detalhes, as folhas de papel ganham vida através de rostos de mulheres. Cada traço, ora com o lápis, ora com o pincel, evidencia os gestos precisos de Straccioni.
Além dos trabalhos de cunho comercial, em que ele produz retratos, paisagens e pinturas de cavalos, o artista em suas obras tem uma carga surrealista bastante grande, com forte referência no pintor Salvador Dali. Na linha da arte como conceito, ele produz temas que tentam provocar a reflexão das pessoas, muitos deles voltados a alguma forma de preconceito.
- Uma vez pintei um quadro que continha um anjo negro, tocando um violino. O instrumento era tocado por um arco, que era uma planta. O violino estava flutuando preso em um balão. As asas do anjo se misturavam com o fundo azul e com as nuvens da tela. No lado esquerdo da pintura, havia uma flecha com fogo e do outro lado, tinha um ovo frito e na gema havia uma flor pequena. Tudo isso foi uma maneira de retratar o renascimento, uma nova idéia sobre o preconceito – explica.
Straccioni já participou de várias exposições aqui na região e também na Capital gaúcha e em municípios da Metropolitana.
Da experiência com seus alunos, novas ideias surgem em sua mente.
- As pessoas acham que a gente fica em frente a uma tela e a inspiração vem. Não é assim que funciona. A inspiração é vontade. Eu acordo todo o dia e busco referências, principalmente na moda, para o meu trabalho. O trabalho com os alunos geram muitas ideias. Até chegar ao desenho que se gosta erra-se bastante. Na arte, mais erramos do que acertemos – afirma.
Para fazer com que seu trabalho seja reconhecido, Straccioni busca em galerias da Região Metropolitana espaço para divulgação. Para isso, é preciso além de criar, ter dedicação e vontade de trabalhar.
- Não dá para colocar as pinturas em baixo do braço e procurar uma galeria. É preciso ter um portfólio, com fotos de qualidade e ter todo um conceito por trás das pinturas. A minha intenção é fazer uma arte mais palpável – diz.
Com o desejo de montar seu próprio ateliê, Straccioni está produzindo muitas telas, para assim que definir o local de seu estúdio, poder montar sua própria exposição.
A criatividade o ajuda não apenas com os quadrinhos ou com a pintura, mas também para vender seus trabalhos. Para isso, ele realiza uma espécie de rifa, em que vende vários números e sorteia um quadro.
- É uma maneira fácil de incentivar as pessoas a comprarem e gostarem de arte – destaca.
O pintor de retratos da vida real sonha que arte a seja um assunto do alcance de todos. Enquanto pinta todos os dias pensando em seu próprio ateliê, Straccioni coloca na tela sua emoção e habilidade. Assim como pinturas o levam a lugares longínquos e imaginários a torcida é que através de seu talento, novas portas possam se abertas para que ele de fato, consiga disseminar a essência de suas obras.

Exposições que participou

- I Mostra da Região Carbonífera no Museu do Carvão ( Arroio dos Ratos, 1998)
- Mostra de Artes SESI Descobrindo Talentos (Esteio, 2001)
- Exposição SESI de Artes Plásticas do Trabalhador Gaúcho (Assembléia Legislativa, 2002)
- Exposição Desenhar (Porto Alegre, 2004)
- I, II, III e IV Salão Universitário Arte Ulbra (Canoas)
- Exposição de Artes Visuais Infinito Particular (Charqueadas, Solar Shopping, 2007).

Legenda: O universo feminino é uma das inspirações de Straccioni. Mulheres com uma nudez velada fazem parte de suas telas.

Já a batida surrealista também é uma de suas características, com referências no pintor Salvador Dali.





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