
Viviane Bueno
Muitos a conhecem como
a professora Alda Marici Silveira, da Escola Thietro Antônio Pires,
de Charqueadas, e da Escola Técnica Municipal, de Triunfo.
Mas, muito além do ofício de educar, ela tem a missão
de entreter. Alda, que tem seu nome ligado a movimentos culturais em Charqueadas,
como a organização da Feira do Livro, Festival Estudantil de
Teatro e por alguns anos foi presidente do Conselho Municipal de Cultura,
não trabalha apenas atrás das cortinas do teatro, mas também
como personagem principal.
Aos 48 anos, formada em letras e em teatro, Alda já conquistou os palcos
da Capital. Há mais de três anos, participa da peça “Como
enlouquecer sua alma gêmea”, que faz parte da programação
do festival Porto Verão Alegre. Em entrevista exclusiva para o jornal
Portal de Notícias ela fala sobre sua carreira, da questão cultural
na região e sobre os planos para o futuro.
vivianebueno.portal@terra.com.br
Entrevista
“Acredito que, apesar dos poucos investimentos em artes no município, muita gente consegue se destacar em todas as áreas artísticas por pura insistência”
PN -
Trabalhas como atriz há quanto tempo? O que te inspira a interpretar?
Alda - O meu primeiro trabalho como atriz foi em 1998, quando
fui convidada para fazer parte do elenco de “A revolta dos perus”,
um espetáculo infantil, dirigido por Paulo Romera. A vida me inspira.
As pessoas, o jeito como lidam com seus problemas, com seus conflitos, com
os outros. Cada pessoa é uma personagem diferente que pode ser recriada
pela nossa imaginação.
PN - Na área teatral, quantos trabalhos já
fizeste?
Alda - Como atriz, atuei em “A revolta dos perus”
(1998), “Doce vampiro” (2000), “Qorpo Santo” (2005),
“Como enlouquecer sua alma gêmea” (2009/10/11), “O
espanta diabo” (2009), “Das saborosas aventuras de Dom Quixote
de La Mancha e seu fiel escudeiro Sancho Pança” (2009), “Coisas
e Loisas” (2009) e “Fiapos de Memória” (2010), além
de diversos espetáculos criados para empresas e escolas. Além
disso, dirigi também vários espetáculos com alunos nas
escolas nas quais trabalhei. “A jornada de um imbecil até o seu
entendimento” (2001), “O médico a força” (2002),
“A jornada.. (2003), “Três porquinhos em Porco Alegre”
(2003),” A revolta dos perus” (2003).
PN -
Há quanto tempo estás em cartaz com a peça “Como
enlouquecer sua alma gêmea”, que faz parte da programação
do Porto Verão Alegre?
Alda - 2012 será o quarto ano de participação.
PN -
Fale um pouco mais sobre o contexto que a peça abrange e sobre o elenco:
Alda - “Como enlouquecer sua alma gêmea”
é uma comédia escrita por Pedro Delgado que também protagoniza
o espetáculo. A peça, dirigida por Paulo Romera, mostra os conflitos
de Paulo e Valquíria, um casal de noivos que costuma separar-se na
noite da véspera do dia 21 de dezembro, quando o verão se anuncia.
De um lado está ele, um homem cansado do relacionamento que se prepara
para curtir o verão numa boa. Do outro lado está ela tentando,
desesperadamente, salvar a relação. As ações são
tão surpreendentes que em muitos momentos chegam beirar o absurdo.
PN - Ter uma atriz da região, e especialmente de Charqueadas, é sinônimo de que aqui são produzidos talentos. Qual sua opinião sobre isso? Encontraste dificuldades para atuar por ser do interior do Estado?
Alda - Acredito que, apesar dos poucos investimentos em artes no município, muita gente consegue se destacar em todas as áreas artísticas por pura insistência. No teatro não é diferente. Temos vários talentos em Charqueadas que batalham para receber aquilo que mais nos enaltece que é o reconhecimento do público que nos prestigia. Dificilmente consegue-se viver de teatro no interior. Assim como eu, muitos outros atores e atrizes que conheço possuem uma profissão específica e o teatro surge como uma grande realização pessoal. Com relação a atuar em Porto Alegre creio que depende de inúmeros fatores. Especificamente no meu caso, tenho o maior prazer de estar trabalhando com um parceiro e amigo, Pedro Delgado, ator, diretor e dramaturgo, que me convidou para substituir a atriz com a qual já contracenava. Não posso dizer então que foi difícil. Foi, sim, e ainda está sendo, um desafio. E dos grandes.
PN -
Participaste de vários movimentos culturais em Charqueadas. O que falta
no município para que a área da cultura tenha mais investimentos
e a própria valorização da população?
Alda - Acredito que Charqueadas precisa urgentemente de um
espaço legal para a prática de teatro. Antes disso, porém,
é extremamente necessário que haja por parte da municipalidade
um olhar sério para a cultura. Não como tem sido feito. O município
de Charqueadas investe hoje em três eventos por ano: carnaval, gincana
e rodeio. Às outras áreas, pouco é dado ou nada muitas
vezes. As administrações municipais nos têm negado, ao
longo dos anos, um direito constitucional, já que de acordo com a constituição
federal todos têm direito ao incentivo, ao exercício e à
valorização das manifestações culturais. Quanto
à valorização da população, gostaria de
fazer uma alusão a um conto dos irmãos Grimm, “O Flautista
de Hamelin”, mas não da forma como nos contam os alemães
ao hipnotizarem ratos e as crianças da cidade. Penso que música,
dança, teatro podem hipnotizar as pessoas, enfeitiçá-las
de uma maneira tão maluca que elas nunca mais conseguirão viver
sem arte. Acredito que é assim que se criam os públicos: oferecendo.
PN -
Para quem deseja assistir a peça que está em cartaz em Porto
Alegre, quais serão os dias das apresentações e como
se dá a vendo dos ingressos?
Alda - O espetáculo estará em cartaz somente
nos dias 3, 4 e 5 de fevereiro de 2012, no teatro de Câmara Túlio
Piva, na Rua da República, 575, Cidade Baixa, sempre às 21h.
Os ingressos podem ser adquiridos no Praia de Belas Shopping, no DC Shopping
e na bilheteria do próprio teatro. Os ingressos antecipados são
vendidos com desconto.
PN -
Sobre o público da peça, há como mensurar se existem
moradores da região assistindo?
Alda - Para mim sempre é muito legal quando encontro
amigos dentre as pessoas da plateia. Nesses três anos em que participo
do elenco, muitos amigos charqueadenses já foram assistir ao espetáculo.
Não tenho condições de indicar um número certo.
PN -
Quais os planos para o futuro? Alguma peça já engatilhada para
os próximos meses?
Alda - Eu pretendo realizar em 2012 um trabalho que teve
início no meu TCC de conclusão de curso na UERGS, onde fiz a
minha graduação em teatro. Trata-se do espetáculo “Fiapos
de Memória” que, a partir das sugestões da banca avaliadora,
deverá se transformar em um monólogo no qual encenarei várias
personagens. Mas, ainda é um projeto. Pode ser que saia do forno este
ano.
