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..Educação e Cultura
Região Carboífera,terça - feira, 8 novembro, 2011
INTERCÂMBIO
As primeiras impressões dos chilenos sobre Charqueadas

Rodrigo Ramazzini

Em meio a um mundo de vozes que ecoam diariamente pelo município de Charqueadas, nos últimos dias, 43 delas tem destoado do habitual e chamado a atenção, em falas que carregam um sotaque típico e a rapidez da pronúncia do idioma espanhol. Se para nós gera curiosidade, imagine para quem tem a missão de justamente desbravar um país. Além da língua, mostrar essas e outras diferenças culturais é um dos objetivos da comitiva chilena que desembarcou em solo gaúcho na última quinta-feira para a realização de mais um intercâmbio Brasil–Chile.
A turma da terra do presidente Sebastián Piñera e dos mundialmente famosos mineiros, que passaram várias semanas soterrados embaixo de uma mina, é da cidade de Mostazal, que fica a cerca de 60 km da Capital Santiago. A localidade tem como fonte econômica a agricultura, mas está iniciando uma migração para a industrialização. Ainda, o local é bastante conhecido em terra chilena por abrigar um grande cassino.
E foi com o prefeito de Mostazal e alunos e professores da Escola Gabriela Mistral, que fica no município, que o jornal Portal de Notícias conversou na tarde de ontem sobre as primeiras impressões deles ao pisarem em território Charqueadense.
Em um começo de bate-papo, com ares de timidez, o estudante Javier diz que não há muitas diferenças com a sua cidade natal. No entanto, logo em seguida, começa a apontar várias:
- Aqui é muito quente! – fala abanando-se.
Ainda, ressalta a grande quantidade de árvores na cidade, e, já mais solto, revela o que mais gostou de verdade:
- As mulheres são muito bonitas! – exclama soltando uma grande gargalhada.
Trocando de tom, o jovem Javier declara, também, que não gostou nem um pouco de arroz com feijão, mas que o churrasco gaúcho foi mais do que aprovado.
Concordando com o colega sobre o prato típico gaúcho, o aluno Martin diz que em suas primeiras impressões o que ganham destaque são o trato amigável como está sendo recebido no município, a forma plana dos terrenos e ruas de Charqueadas, já que o Chile é extremamente montanhoso, a preocupação com o meio ambiente e as diferenças gritantes de cultura e idioma. Ainda, aponta dois aspectos que despertaram sua a atenção envolvendo os carros:
- Aqui, vocês usam cinto de segurança e escutam música muito alta nos carros! – constata.
O trânsito desordenado e os desrespeitos às leis também chamaram a atenção do diretor da Escola Gabriela Mistral, Mário Riquelme, que já esteve em Charqueadas durante o intercâmbio realizado no ano de 2003. De lá para cá, o diretor diz que encontrou outra cidade esse ano:
- Foi possível perceber o quanto a cidade cresceu nesses últimos anos. Muitas indústrias e comércio abundante! – declara.
Além disso, o problema da segurança pública foi percebido por Riquelme, que sentiu a falta de policiais ao andar pelas ruas de Charqueadas, já que no Chile é normal enxergá-los em grande número pelas avenidas.
O diretor, que se diz um otimista em relação ao agrego de cultura proporcionado pelo intercâmbio, destaca que são pontos altos o carinho e o espírito fraternal com que a turma foi recebida por aqui. E, com um sorriso no rosto, fala que está gostando da boemia noturna, com festas em vários dias da semana, regadas a muita cerveja, ainda mais depois de conhecer a quadra de uma escola de Samba de Porto Alegre, no último final de semana.

Escola em três turnos

Essa foi a primeira vez que a comitiva chilena, formada por 43 pessoas, que participa do intercâmbio veio para o Brasil de avião. Nos anteriores, os mais de dois mil quilômetros que separam Charqueadas de Mostazal, foram feitos de ônibus. Os alunos são selecionados pelos méritos e qualificação, ganhando a oportunidade de participarem do intercâmbio como uma forma de premio. A professora Blanca, da Escola Gabriela Mistral, conta que a preparação para a viagem começou no mês de maio e que muitos alunos já mantinham contatos com estudantes Charqueadenses pelo MSN ou Facebook, para que já houvesse uma aproximação, pois muitos chilenos estão hospedados em casas de famílias do município.
Para a professora chilena, que fará uma apresentação na próxima quinta-feira com o seu grupo de danças típicas na Escola Pio XII, o calor, as comidas e a estrutura da cidade são as primeiras impressões que marcam. Ainda, impressionou-se que por aqui as escolas têm o horário dividido em três turnos de quatro horas cada. No Chile, há apenas um turno de oito horas.
Para ela, essa troca cultural justifica a realização do intercâmbio:
- É uma forma de mostrar aos alunos as diferentes culturas existentes e de incentivá-los a ser abrir para o mundo! - afirma
E, com um sorriso no rosto, também, revela que gostou da vida noturna e das danças brasileiras.

Visão do prefeito

Como não poderia ser diferente, o que mais chamou a atenção do prefeito Sérgio, de Mostazal, o único da comitiva que arranha falar português porque já esteve anteriormente no Brasil, inclusive no município de Butiá, foi a forma de organização do governo.
- Aqui, a Prefeitura e a Câmara de Vereadores são separadas! – aponta, já que no Chile os governos são formados por um grande conselho que inclui os dois poderes, mas os mandatos, também têm duração de quatro anos.

Até logo

A comitiva chilena fica no município de Charqueadas até o próximo dia 14 de novembro. Até lá, com uma programação intensa, pretendem ganhar muitas experiências pedagógicas e culturais. E, pelo carinho que todos revelam estar recebendo e pelas impressões relatadas, é certo que na data as despedidas não terão a palavra adeus no vocabulário, mas sim, um até logo.


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