
Viviane Bueno
Tudo começou quando, do outro
lado do Oceano Atlântico, mais precisamente na França, um texto
chamou a atenção de Marie-Thérèsse Chaloine. Em
2009, completando 100 anos da morte do engenheiro francês Cláudius
Mathon, responsável pela construção da ponte da estrada
de ferro que liga Porto Alegre–Uruguaiana, no município de Triunfo,
na localidade de Barreto, Cláudio Rollo, atual coordenador municipal
de Cultura de São Jerônimo, resolveu escrever um texto sobre
as histórias que cercavam a ponte.
No texto, constavam informações sobre o engenheiro Cláudius
Mathon que, em função de uma das bases da ponte estar deslocada
em relação a outra, causando um desencontro das extremidades,
acabou se matando por ter cometido tal erro, que nunca entendera.
Através da matéria, publicada no dia 23 de janeiro de 2009,
no jornal Portal de Notícias, Marie- Thérèsse Chaloine
soube, na edição on-line, um pouco mais da história do
engenheiro, seu bisavô. Com dificuldades para entender a língua
portuguesa, foi com a ajuda de uma amiga, Célia Moreira de Souza, que
estabeleceu comunicação com o Brasil.
No ano passado, ela fez o primeiro contato com Rollo, por meio de um e-mail
enviado para a redação do jornal e encaminhado à Prefeitura.
No e-mail, a bisneta de Mathon relatou que os descendentes do engenheiro desconheciam
o seu fim trágico. Conforme Chaloine, ela cresceu ouvindo a história
que seu bisavô tinha sucumbido a uma febre tropical. A então
viúva de Mathon, que pretendia vir ao Brasil em 1909 para visitar o
marido, guardou luto pelo resto da vida. Em um dos trechos, Chaloine conta:
- Após a morte de Cláudius, minha avó teve que interromper
seus estudos para trabalhar e ajudar sua mãe na educação
dos filhos mais jovens. Em 1920, uns amigos de meu bisavô foram ao Brasil
e trouxeram uma fotografia de sua sepultura, que tenho até hoje. Eu,
minhas três irmãs e minha prima, únicas descendentes vivas
de Cláudius, damos muita importância a essa história.
Qualquer informação é preciosa, - revela
O início da pesquisa
Claúdio Rollo conta que pelo gosto de visitar cemitérios, descobriu
em Triunfo o túmulo de Mathon. A partir daí, começou
a pesquisar sua história, reunindo fotos e documentos daquela época.
- Ao iniciar a pesquisa, fiquei muito envolvido com a história. Mathon
era um homem dedicado ao trabalho e no zelo pela execução da
obra, chegava, inclusive, a cometer excessos. Ele tinha um senso de responsabilidade
e de ética que admiro muito. Fico feliz, pois contribui para esclarecer
uma dúvida que se estendia por décadas, - entusiasma-se Rollo.
Cláudio salienta que sua matéria, publicada em 2009, teve resultados
nunca imaginados por ele. – Através do jornal Portal de Notícias,
uma história foi esclarecida. Era para ter um efeito, e acabou tendo
outro,- finaliza.
A ligação de Rollo com a França continua até hoje.
Com a bisneta de Mathon ele troca e-mails como fotos, documentos históricos
e conta com a ajuda da tecnologia para realizar a tradução para
o francês.
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